O presidente do PSD afirmou esta sexta-feira que vai pedir à Comissão Nacional que vote contra a proposta de Orçamento do Estado para 2022. Após uma audiência com o Presidente da República, Rui Rio diz que o sentido de voto do partido se justifica por "diversas razões".

É um Orçamento que segue uma continuidade, não tem uma estratégia de longo prazo, como nenhum outro Orçamento teve. O PS ora negoceia com o Bloco de Esquerda e com o PCP, ora só com o PCP, ora só com o Bloco de Esquerda, e não consegue uma política orçamental sustentada", acrescentou.

O líder dos sociais-democratas frisou que não há apoios ao tecido produtivo, às empresas: "Tem lá algum dinheiro, mas é o do Plano de Recuperação e Resiliência", acrescentou.

O presidente do PSD criticou também as propostas do PCP, nomeadamente nas medidas para as empresas e na legislação laboral.

Se precisamos de apoiar as empresas, se, ao lado do Orçamento do Estado, o PCP tem uma influência tal, já não temos um governo socialista de influência comunista no Orçamento, passamos a ter um governo socialista de forte influência comunista em outras áreas para lá da política orçamental. Só falta o PCP ter ministros lá dentro também", disse, acrescentando que o Governo está "completamente encostado à esquerda".

Perante este cenário, Rui Rio diz que vê com 50% de possibilidades a existência de uma crise política relacionada com a votação do Orçamento do Estado.

Não tenho uma convicção profunda, se me pergunta probabilidades, direi 50/50. Não fico admirado se houver uma crise política e o PS resistir a estas fortíssimas exigências do PCP, mas também não fico admirado se o PS, para segurar no poder este Governo, resolver ceder ao Partido Comunista. Olhe, se pergunta a minha convicção, é 50% para cada lado”, disse.

Questionado se o PSD estaria disposto para uma negociação com o PS, Rui Rio começou por afirmar que essa "obrigação" está nos partidos à esquerda.

O primeiro-ministro disse que é à esquerda, e não ao centro, que quer negociar o Orçamento. O nosso voto é completamente livre, porque a nossa participação numa crise política é nenhuma, é da responsabilidade à esquerda", afirmou.

Esclarece o social-democrata que as suas críticas vão antes para aquilo que está a ser levado pelos parceiros para as negociações.

O PS fica assim obrigado a negociar o Orçamento do Estado com Bloco de Esquerda, PCP e PAN, sendo que os primeiros dois partidos já avisaram que, como está, a proposta não vai ter aprovação.

António Guimarães