O vereador Carlos Manuel Castro, encarregado do pelouro da Proteção Civil, apresentou esta terça-feira o seu pedido de renúncia ao cargo, tenso sido imediatamente aceite pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Manuel Castro esteve envolto numa polémica relativa à sua vacinação e à de vários elementos da Polícia Municipal e do Regimento de Sapadores Bombeiros com sobras das vacinas destinadas a lares de Lisboa. Também a Diretora Municipal de Higiene Urbana foi inoculada.

O vereador enviou, entretanto, uma carta ao presidente da autarquia, sublinhando que as vacinas administradas foram, de facto, "aplicadas a pessoas que estavam, e estão, desde o primeiro momento, ou seja, desde março de 2020, na linha da frente de combate à pandemia".

"Havendo sobras, de mais de 6 mil pessoas vacinadas na primeira semana de vacinação dos lares, e com a validação das autoridades de Saúde, e cumprindo as normas da DGS, de aplicação das vacinas a elementos da primeira linha, as 126 sobras foram aplicadas a pessoas que estavam diretamente ligadas a este processo", escreve Carlos Manuel Gomes, destacando que a responsabilidade da vacinação dos dirigentes municipais é da sua inteira responsabilidade, "pois são pessoas, que dependendo diretamente de mim, ou coordenando diretamente comigo o trabalho no terreno, são essenciais na estrutura municipal e indispensáveis no dispositivo de resposta à pandemia".

Nunca quis beneficiar de nada, nem prejudicar ninguém. Não houve nenhuma pessoa de um lar da cidade, utente ou profissional, a quem ficou por dar uma vacina. Restaram sobras, para as quais as palavras dos Delegados de Saúde eram, e são, objetivas: “não se desperdiçam vacinas”. Agi sempre da melhor forma possível, procurando cumprir o meu trabalho com rigor, dando sempre o meu melhor. E estes longos e duros meses requereram mais do que o melhor de nós", afirma Manuel Castro, avançando que está disponível para prestar declarações às autoridades competentes.

Hoje, tive o cuidado de enviar esta carta ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa:

Exmo. Sr. Presidente da...

Publicado por Carlos Manuel Castro em  Terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Carlos Castro recorda que o plano de vacinação contra a covid-19 na cidade foi coordenado e implementado no terreno por si, e que acompanhou “os primeiros dias de trabalho” na presença dos dirigentes da Higiene Urbana, Polícia Municipal e Bombeiros.

Não houve nenhuma pessoa de um lar da cidade, utente ou profissional, a quem ficou por dar uma vacina”, destaca.

No dia 9 de fevereiro, a Câmara de Lisboa fez saber que, na sequência da vacinação em lares e residências para idosos, sobraram 126 vacinas, uma média de 18 por dia.

Dando cumprimento às determinações das autoridades de saúde, indicou a autarquia, foram ministradas 26 doses das vacinas a elementos das equipas envolvidas diretamente da operação de inoculação nos lares, designadamente 15 enfermeiros e oito elementos da Proteção Civil municipal presentes no local da vacinação, entre os quais o vereador com a pasta respetiva, e também três elementos da Higiene Urbana, entre os quais a sua diretora, envolvidos no processo de recolha das seringas utilizadas na vacinação.

As restantes 100 sobras “foram ministradas a profissionais dos grupos constantes na primeira fase de prioridade definida” pela Direção-Geral da Saúde.

A câmara diz que serão remetidos às “autoridades competentes todos os elementos apurados relativos à participação da Proteção Civil no processo de vacinação dos lares para avaliação externa e independente dos mesmos”.

O pelouro da Proteção Civil passa a ser assumido pelo vereador Miguel Gaspar.

Apesar da demissão de Manuel Castro, Fernando Medina afirma ter confiança no Comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros, no Comandante da Polícia Municipal e na Diretora Municipal de Higiene Urbana, "cuja vacinação decorreu por determinação de superior hierárquico e na convicção do cumprimento de todas as normas".

PSD diz que demissão de vereador comprova falhas na vacinação

O PSD/Lisboa considerou que a demissão do vereador da Proteção Civil, Carlos Castro, era “inevitável”, argumentando que a renúncia comprova que a estratégia de vacinação contra a covid-19 “está a falhar”.

O PSD/Lisboa entende a demissão do vereador Carlos Castro como inevitável. Desde a primeira hora considerámos que deixara de ter condições para se manter em funções, por não ser aceitável que o vereador, assim como a Diretora Municipal da Higiene Urbana e os comandantes do Regimento de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal tenham sido privilegiados no processo de vacinação por inerência dos cargos”, escrevem os sociais-democratas em comunicado.

A concelhia de Lisboa do partido, presidida por Luís Newton, também presidente da Junta de Freguesia da Estrela, considera que a demissão de Carlos Castro comprova “que a estratégia da vacinação está a falhar na sua primeira fase, pondo em causa um mais rápido controlo da pandemia”.