Estes poemas de Pessoa são hoje bastante conhecidos, mas em 1960 permaneciam (?) inéditos. Numa altura em que havia muitos exilados políticos portugueses no Brasil, o país era um foco activo de oposição ao regime do Estado Novo. Algum deles enviou os poemas anti-salazaristas de Pessoa ao Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo e este publicou-os com gáudio do jornal e do seu "anónimo" fornecedor. Logo a seguir, alguém os enviou a Fernando Abranches Ferrão, um dos mais importantes advogados da oposição, para a sua "colecção". Uma parte dessa "colecção" está hoje no ARQUIVO EPHEMERA de onde veio esta reprodução. Havia quem soubesse de cor os poemas, - não era bem como os dissidentes russos que tinham que decorar livros inteiros para que eles não se perdessem -, mas dava jeito, impressionava os ouvintes e era boa propaganda.

Mas como acontece com a memória e a oralidade, a versão que circulava era ligeiramente diferente:

António de Oliveira Salazar

Três nomes em sequência regular...

António é António,

Oliveira é uma árvore,

Salazar é apelido. (caia o "só")

Até aqui tudo está  bem (acrescentava-se o "tudo" e em vez de ser "aí" ficava "aqui")

Tudo isto faz sentido (acrescento)

Só o que não faz sentido (acrescentava-se o "só")

é o sentido que tudo isto tem.

Pessoa veria com ironia estas alterações dos aedos da oposição.

Veja aqui o programa Ephemera da TVI24

A TVI24 associa-se à biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira, publicando todos os dias uma imagem inédita dos fundos do arquivo, que estão a ser tratados mas ainda não foram publicados. Essa imagem, que pode ser uma fotografia, um panfleto, um documento, a capa de um livro, um objecto, um autocolante, um pin, um cartaz, um vídeo ou uma gravação será acompanhada por um pequeno texto que complementa a informação do EPHEMERA DIÁRIO. 

Quem possa ter mais documentação ou informações sobre a imagem/tema em causa pode enviar para jppereira@gmail.com ou jrreis@tvi.pt.

Pacheco Pereira