O Presidente da República admite, se a situação epidemiológica piorar e o número de mortos continuar a aumentar, voltar ao recolher obrigatório.

Para evitar medidas muito mais pesadas, o melhor é que as pessoas compreendam que as medidas imediatas e mais pequenas devem ser cumpridas. Nenhum poder político pode, perante um agravamento brutal da situação, ficar parado", disse Marcelo durante uma visita a Aljezur.

 

Nós queremos evitar isso porque isso tem consequências na vida das pessoas. Tem consequências psicológicas, económicas e sociais que queremos evitar. Agora, é evidente que há dois indicadores que são muito importantes: há um que é a elevação do número de pessoas infetadas e internadas nos cuidados intensivos e há um ainda mais grave, que é a subida do número de mortos. Se o número de mortos disparar para várias dezenas por dia, aí temos um problema grave que atravessa toda a sociedade portuguesa e nós queremos evitar que isso aconteça", adiantou.

Entre as medidas mais gravosas, Marcelo destacou - e dando vários países europeus como exemplo -  o "recolher obrigatório" ou "o parar da atividade económica, nomeadamente comercial e serviços numa determinada hora do dia".

É evidente que nenhum poder político pode, perante um agravamento brutal da situação, ficar parado. Se fica parado, legitimamente, a maioria dos portugueses diz 'mas o que é que eles estão a fazer?' Por muito importante que seja a atividade económica, 'como é que não reagem de forma mais eficaz a uma situação gravíssima?'", questionou o chefe de Estado.

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Marcelo Rebelo de Sousa volta a reforçar que prevenir tais cenários "está muito nas mãos das pessoas".

O que me preocupa para o futuro, é que nós temos um plano de recuperação da economia que está em crise e se a pandemia durar muito a crise vai ser maior", alertou.

Portugal atingiu, pelo terceiro dia consecutivo, um recorde de casos positivos de covid-19, com mais 2.608 infetados e ainda 21 mortos, de acordo com o último boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta sexta-feira.

A região Norte continua a concentrar mais de metade dos novos casos, com 51,8% do total diário (1.350) e ainda dez óbitos registados. Segue-se Lisboa e Vale do Tejo com 27,8% (mais 725 contágios) e nove mortes. A terceira situação mais grave situa-se na zona Centro, com 12,4% dos infetados do dia e dois mortos.

As 21 vítimas mortais têm entre 64 e 97 anos, 15 são do sexo masculino e seis do feminino, e a maioria, 20, morreram no hospital onde estavam internados (um doente morreu no lar onde residia).

Uso obrigatório de máscara ao ar livre

Acerca da possibilidade do uso obrigatório de máscara na rua, Marcelo não se opõe.

Eu acho que a máscara na rua não é autoritária, é democrática. Há em vários estados democráticos, há muito tempo, até da Europa de sul e penso que, mil vezes isso, a ter que pedir o sacrifício de fechar à noite a atividade comercial toda e a vida das pessoas, a fazer confinamentos locais ou ir até para formas mais radicais", declarou o Presidente da República.

Já sobre a aplicação StayAway Covid, Marcelo pede "que não se perca tempo" com tal discussão.

Não vamos perder tempo com uma discussão indefinida sobre se é contra a Constituição ou não é. Se a assembleia votar, mas se votar com muitas dúvidas e com dúvidas de inconstitucionalidade, então é muito simples o que se faz é perguntar ao Tribunal Constitucional e fica definido em 15 dias. Ou se for um pedido de urgência o mais rápido possível para não termos uma discussão que vai durar meses e meses", concluiu.

 

Lara Ferin