O deputado do PSD Adão Silva foi esta quinta-feira eleito líder parlamentar com 81% dos votos, indicou fonte do partido.

De acordo com a mesma fonte, votaram os 79 deputados da bancada do PSD, dos quais 64 votaram sim, seis em branco e registaram-se 9 votos nulos.

Adão Silva, 62 anos, que foi candidato único, substitui assim no cargo de líder parlamentar do PSD o presidente do partido, Rui Rio.

Foi eleito deputado pela primeira vez na V legislatura (1987-1989), sempre pelo círculo de Bragança, e foi secretário de Estado da Saúde no Governo PSD/CDS-PP liderado por Durão Barroso (2002-2004).

Com este resultado, Adão Silva fica abaixo da percentagem obtida por Rio em 06 de novembro de 2019, quando foi eleito por 89,87% dos votos, mas muito acima do anterior líder parlamentar, Fernando Negrão, eleito em 22 de fevereiro de 2018, com menos de 40% de votos favoráveis (39,7%).

Antes de Negrão, Hugo Soares, tinha sido eleito em julho de 2017 com 85,4% de votos, correspondentes a 76 votos favoráveis, 12 votos brancos e um nulo.

Luís Montenegro exerceu funções de líder parlamentar do PSD desde junho de 2011, quando foi eleito com 86% dos votos, tendo sido sucessivamente reeleito em outubro de 2013, com 87% dos votos, e em novembro de 2015 com quase 98% dos votos, sempre sem oposição.

Antes de Montenegro, Miguel Macedo tinha sido eleito em 2010 com 87,5% dos votos e Aguiar-Branco, em 2009, com mais de 96% dos votos.

Antes de Aguiar-Branco, a votação para a liderança da bancada parlamentar do PSD permitia votos contra, o que deixou de acontecer e atualmente a discordância em relação aos nomes propostos só pode ser expressa através de votos brancos, nulos ou da abstenção.

Nesse outro método, Paulo Rangel tinha sido eleito em 2008, com cerca de 57% de votos favoráveis, enquanto, antes dele, Santana Lopes tinha conseguido, em 2007, 70% dos votos da bancada.

Já Marques Guedes, quando foi eleito em 2005, recolheu 81,6% dos votos favoráveis, enquanto Guilherme Silva – que fez dois mandatos - tinha tido 85% em 2004 e 91,3% em 2002.

Na sua lista, Adão Silva mantém os atuais ‘vices’ de Rui Rio - Carlos Peixoto, Luís Leite Ramos, Clara Marques Mendes, Ricardo Baptista Leite e Afonso Oliveira - e acrescentou como novidade nas vice-presidências a deputada Catarina Rocha Ferreira.

Mesmo nas coordenações das comissões parlamentares, Adão Silva mantém inalteradas 11 das 14 escolhas de Rui Rio, e as mudanças serão para resolver as demissões registadas nos últimos meses por divergências com a direção: Álvaro Almeida de coordenador na Comissão de Saúde e Pedro Rodrigues na Comissão de Trabalho e Segurança Social.

Para a Saúde, Adão Silva indicou como coordenador o deputado e dirigente Maló de Abreu - que até agora coordenava a Comissão de Negócios estrangeiros, que passará agora para Nuno Carvalho - e para a Segurança Social Helga Correia.

Os secretários da direção do grupo parlamentar serão os deputados António Ventura e Hugo Carneiro, também secretário-geral adjunto do partido.

Adão Silva considera que resultado de 81% “robustece” bancada do PSD 

 

O novo líder parlamentar do PSD, Adão Silva, considerou que a votação de 81% que obteve “robustece” a bancada e desvalorizou queixas de alguns deputados de falta de privacidade no ato eleitoral.

Os resultados espelham a livre escolha dos meus colegas deputados a quem agradeço a disponibilidade para participarem neste ato eleitoral, que robustece o grupo parlamentar. Os resultados parecem-me muito substantivos e ao mesmo tempo muito desafiantes”, disse.

Questionado sobre as queixas de alguns deputados da bancada de falta de privacidade por terem sido filmados e fotografados no momento da votação, Adão Silva considerou-as “surpreendentes”, dizendo que a forma como decorreu o ato eleitoral foi idêntico a anteriores.

Foi sempre assim que fizemos, as últimas e penúltimas eleições decorreram desta maneira, há sempre filmagens e fotografias, não há algo que aconteceu de novo, é algo que repete o que vinha de trás e nunca houve esse tipo de objeções”, afirmou.

Adão Silva acrescentou que, nos “dois ou três” casos em que os deputados manifestaram essas objeções, “as câmaras foram desligadas e as fotografias não foram feitas”.

É um pormenor que não deslustra este ato eleitoral”, afirmou.

O novo líder parlamentar prometeu que fará a primeira reunião nas novas funções já na próxima quinta-feira, dia 24, e, questionado se já está definido quem fará os debates com o primeiro-ministro, respondeu afirmativamente.

Na minha cabeça está bem definido, sempre que o líder do partido [Rui Rio] quiser fazer esse trabalho deve fazê-lo”, afirmou, acrescentando que o mais importante é “potenciar quem é melhor para a situação”.

Questionado se espera que ainda existam ecos de divergências na bancada, Adão Silva repetiu estar “muito contente” com os resultados.

Apesar das vicissitudes nos últimos dias, no momento do voto os deputados do PSD uniram-se em torno da direção alargada e há prova de grande unidade para trabalhar”, disse.

Para o deputado, “a fragmentação, a divisão não ajudam, se forem sistemáticas”, mas salientou que em democracia é necessário saber viver “com a diferença e a crítica”.

Adão Silva defendeu que conta com “uma grande equipa de 79 deputados” e elegeu como desafio principal “representar bem os cidadãos”.

O povo português, Portugal, pode continuar a contar com o grupo parlamentar do PSD como um grupo capaz, dedicado, empenhado”, assegurou.

/ HCL