O PSD vai votar a favor da moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS-PP, apesar de considerar que "não tem qualquer efeito prático", revelou esta segunda-feira à Lusa o Grupo Parlamentar social-democrata.

Numa nota enviada à agência Lusa, o Grupo Parlamentar do PSD esclarece que, na quarta-feira, quando for discutida na Assembleia da República, "voltará a repetir as críticas que tem vindo a fazer ao Governo e, consequentemente, votará a favor de uma censura à política socialista que tem vindo a ser seguida".

Apesar de votar favoravelmente, o PSD recorda que, "como é por demais evidente, a moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS não tem qualquer efeito prático".

A par de algumas notícias, a sua única consequência é a realização de um debate regimental na Assembleia da República na próxima quarta-feira", refere ainda a bancada social-democrata na nota enviada à Lusa.

Ao final da noite, o líder do PSD, Rui Rio, revelou que não ponderou apresentar uma moção de censura ao Governo socialista porque, mesmo que fosse aprovada, ficaria sem “efeito prático”, apenas antecipando as eleições em meses.

“Não tem efeito prático nenhum. Seriam as eleições antecipadas quatro meses", justificou Rui Rio, em declarações aos jornalistas na sede distrital do Porto do PSD, depois de dizer que não equacionou a apresentação de uma moção de censura ao Governo.

Sobre o voto favorável do PSD à iniciativa apresentada pelo CDS-PP, Rui Rio admitiu que é “simbólico”.

Contudo, acrescentou, não podia ser diferente para ser consequente com as críticas que o partido vai fazer durante o debate da moção de censura, na quarta-feira, no parlamento.

“Se dizemos mal [no debate], íamos votar favoravelmente?”, questionou.

De acordo com Rio, no plenário da Assembleia da República o PSD vai “repetir as principais críticas que tem feito ao Governo PS” e, sendo a votação para dizer que o PS tem de ser censurado, “depois de dizer mal”, o PSD não podia votar contra essa censura.

“Não fazia sentido votar diferente”, afirmou.

O voto favorável do PSD, insistiu, “é pouco mais do que simbólico”.

“Sabemos que não tem efeito em termos de fazer cair o Governo. E, imaginando que pudesse ter esse efeito, que o BE ou o PCP se abstinham, o que acontecia era antecipar as eleições em quatro meses”, observou, acrescentando que, “mais coisa, menos coisa, é um formalismo”.

O líder do partido recusou ainda que o PSD tenha sido “arrastado” pelo CDS-PP relativamente à moção.

“Foram todos arrastados, porque regimentalmente são todos arrastados para o plenário para debater [a moção]. O PS também vai participar no debate”, frisou.

Nuno Melo saúda apoio do PSD, se não “mal seria”

O CDS saudou, esta segunda-feira, o anúncio do PSD, de que votará a favor da moção de censura centrista, na quarta-feira, e afirmou preferir essa posição a ver os sociais-democratas a negociar com o PS e o Governo.

Acho que faz muito bem. Mal seria…”, comentou, em declarações à Lusa, o vice-presidente do CDS Nuno Melo, que é também cabeça de lista do partido às europeias, à margem de uma ação de pré-campanha para as eleições de 26 de maio, depois de viajar desde Torres Vedras, de comboio, até à estação de Mira Sintra-Meleças.

A três dias do debate da moção de censura, anunciada por Assunção Cristas, na sexta-feira, Nuno Melo comentou com um “ainda bem” a posição do PSD.

Ainda bem porque o espaço político de centro-direita tem que se concentrar numa oposição a um governo que é mau e a um PS que nem sequer deveria ser Governo”, afirmou.

Nuno Melo afirmou preferir este posicionamento dos sociais-democratas a uma aproximação aos socialistas, como aconteceu no passado, após a chegada de Rui Rio à liderança do PSD.

Prefiro ver um PSD que vota a favor das moções de censura que o CDS apresenta do que um PSD que se senta com o PS a celebrar acordos em áreas que são, para nós, graves, entre elas as que consagram impostos europeus ou uma vontade de descentralização que o mundo autárquico repudia”, acrescentou.

Costa afirma que PSD foi arrastado pelo CDS-PP

O primeiro-ministro considerou que o PSD foi "arrastado" pelo CDS-PP para apoiar a moção de censura ao Governo e que esta iniciativa dos democratas-cristãos visou sobretudo o conjunto dos partidos à direita e não o PS.

António Costa falava aos jornalistas no Palácio de Belém, após o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter dado posse aos novos membros do Governo, depois de questionado sobre a decisão do PSD de apoiar a moção de censura apresentada pelo CDS-PP ao seu executivo, que será debatida e votada na quarta-feira no parlamento.

Face à dinâmica das coisas, é natural que o PSD seja arrastado para essa posição", respondeu o líder do executivo.

Citando vários comentadores políticos, António Costa disse também que, pelas circunstâncias, "é manifesto que a moção do CDS-PP vise menos o Governo e mais o conjunto dos partidos à direita, desde logo o PSD, assim como novos partidos emergentes como a Aliança e o Chega".