Miguel Pinto Luz é candidato à liderança nacional do PSD. O anúncio foi feito, esta sexta-feira, através de um vídeo dirigido diretamente aos militantes do partido disponibilizado no site da sua candidatura e nas redes sociais.

Em comunicado, o candidato diz que, "após reflexão pessoal, entendeu ser este o momento para anunciar a sua candidatura à liderança do partido".

“[As próximas eleições diretas são] Uma oportunidade de reencontro com as verdadeiras aspirações dos portugueses. Que através de um debate democrático possa renascer um PSD com a ambição de liderar um novo projeto de mudança para a sociedade portuguesa”, afirma Miguel Pinto Luz num vídeo onde se assume como alternativa ao atual governo do Partido Socialista.

A primeira vez que o nome de Pinto Luz foi apontado como potencial candidato a líder do PSD foi pela mão do antigo secretário-geral Miguel Relvas, em setembro de 2017, ainda antes do mau resultado do partido nas autárquicas que ditaria a não recandidatura de Pedro Passos Coelho.

O nome do antigo presidente da distrital de Lisboa (estrutura a que presidiu entre 2011 e 2017) ainda circulou entre os possíveis candidatos, mas Pinto Luz não avançou por entender não estarem reunidas as condições pessoais e políticas desejadas.

Já depois da vitória de Rui Rio nas diretas de janeiro contra Santana Lopes, o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais desafia o presidente eleito a rever a moção que iria levar ao Congresso, esclarecendo “omissões” sobre a relação com o PS, e exigindo-lhe “a terceira vitória consecutiva nas eleições legislativas”.

No verão, Pinto Luz foi, a par do antigo líder parlamentar Hugo Soares e da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, um dos ‘notáveis’ a ficar de fora das listas de candidatos a deputados do PSD.

O PSD/Lisboa indicou o seu antigo líder como “primeiro nome” apontado pela estrutura, mas a direção considerou que a sua inclusão “não seria uma prioridade”.

Na reação, Miguel Pinto Luz avisou que não seria “um veto” que o iria fazer “recuar ou ter dúvidas sobre o futuro”, manifestando-se disponível para ajudar na campanha, o que fez, também ao lado de Rui Rio, participando no último dia nos tradicionais contactos de rua na Avenida da Igreja, em Alvalade (Lisboa).

Contra a sua exclusão pronunciaram-se, na altura, alguns dos seus apoiantes mais próximos, como o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ou o antigo secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins, mas também o líder da concelhia do Porto, Hugo Neto.

O autarca de Cascais ficou de fora da tensão interna de janeiro, quando o já assumido candidato à liderança do PSD Luís Montenegro desafiou Rio a convocar diretas antecipadas, mas o líder rejeitou e levou a votos uma moção de confiança à sua direção, que venceu com 60% dos votos em Conselho Nacional.

Nessa altura, Pinto Luz afirmou que não iria “contribuir para divisionismos” no PSD, e considerou extemporâneo falar em “hipotéticas candidaturas” à liderança, uma vez que não havia eleições marcadas.

Num almoço no International Club, em novembro, o ex-dirigente do PSD defendeu que o partido tem de falar de novos temas e, por exemplo, “não se pode pôr de fora do debate sobre o aumento do salário mínimo nacional”, salientando que “não é um partido dos empresários, mas dos portugueses”.

A mutualização “progressiva e responsável da dívida”, a generalização do ensino pré-escolar público e gratuito” e a redução da carga fiscal para as empresas devem ser outros temas a fazer parte do discurso do PSD, de acordo com o autarca de Cascais.

Nessa ocasião, em que teve a ouvi-lo na plateia o seu agora adversário Luís Montenegro, o autarca defendeu uma maior representação de Portugal em Bruxelas – que poderia passar pela colocação do secretário de Estado dos Assuntos Europeus nessa cidade, em vez de em Lisboa -, considerando que “não há construção de uma alternativa sem trazer a Europa para dentro da discussão política nacional”.

Miguel Martinez de Castro Pinto Luz, 42 anos, nasceu em 08 de março de 1977 em Lisboa, e licenciou-se pelo Instituto Superior Técnico (IST) em Engenharia Eletrotécnica e Computadores em 2000.

Prossegue a carreira académica no IST onde completa o mestrado e exerce funções como docente, prosseguindo até 2005 como investigador de mestrado e doutoramento no Instituto de Sistemas e Computadores (INESC-ID Lisboa) e, em 2012, conclui um MBA na Universidade de Navarra.

Desde 2005, assume funções autárquicas em Cascais e funções de administrador em representação da Câmara em várias agências e empresas do universo municipal e intermunicipal, entre as quais a Fundação Paula Rego.

Atualmente, é vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais e tem sido o rosto das Conferências do Estoril e das Portugal Talks, com o objetivo de debater temas e planos de ação em torno da democracia.

No PSD, chegou a integrar a direção de Pedro Passos Coelho, como vogal, e em 2011 torna-se presidente da distrital de Lisboa, cargo para o qual é sucessivamente reeleito até anunciar a não recandidatura em 2017, tendo Pedro Pinto como sucessor.

Fechou o seu mandato na distrital com o dossiê autárquico pouco pacífico em Lisboa nas autárquicas, com a opção por Teresa Leal Coelho – uma escolha de Passos Coelho – a recolher apenas 11% dos votos.

Ainda chegou a ser empossado como secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações no breve XX Governo Constitucional liderado por Passos Coelho – que dura menos de um mês -, regressando depois à Câmara Municipal de Cascais.