Este despacho da Censura proibindo um livro do escritor neo-realista Faure da Rosa (1912-1985) é absolutamente o habitual nos escritos dos censores. As "descrições perniciosas" contra a "sã moral", as "cenas lúbricas", as "partes nocivas" são as costumeiras acusações que proibiram a chegada ao público de centenas de livros e milhares de artigos de jornais. Este Capitão Silva Dias tem no seu palmarés censório muitas proibições, algumas como as dos livros de Torga, muito reveladoras do papel da Censura. Torga por exemplo, era um escritor de "fácil aceitação pelos leitores de deficientes recursos espirituais", "fomentando o desrespeito social". O Capitão ia mais longe e propunha que estes livros fossem especialmente perseguidos nas colectividades operárias "por razões óbvias". Numa nota manuscrita apensa ao despacho sugere a "quem de direito", a PIDE claro, que purgue a biblioteca do Sport Operário Marinhense que tinha Torga nas suas estantes. Não deve haver "obras desta natureza em bibliotecas operárias".

No fundo, no fundo, era para nosso bem.

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Pacheco Pereira