A coordenadora do BE traçou este domigno a meta de eleger o primeiro vereador na Câmara do Porto, que prometeu ser “a garantia da esquerda socialista que não desistiu” da cidade, considerando que Rui Moreira não teve oposição neste mandato.

Foi na Praça de Dom João I, com vistas para a Câmara do Porto, num comício distrital a meio da campanha oficial autárquica, que Catarina Martins estabeleceu um objetivo concreto para a noite eleitoral de 26 de setembro.

Há quatro anos ficámos a poucos votos de eleger um vereador. Sabem que mais? Vai ser agora. O Sérgio Aires será a oposição que Rui Moreira não teve nos últimos quatro anos”, afirmou.

Na análise da líder do BE, no mandato que agora acaba, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira - que é recandidato ao cargo –, “não teve oposição”.

Rui Moreira governou com autoritarismo e sem oposição. Bem, teve oposição do Bloco e forte. Na Assembleia Municipal, nas freguesias, na rua, sempre que foi preciso”, atirou, numa crítica às restantes forças políticas com mandatos no concelho.

Para Catarina Martins, “uma oposição que acaba sempre a viabilizar os orçamentos de Rui Moreira, que se gabou da fraca resposta à crise pandémica, uma oposição que tem medo de fazer perguntas incómodas não serve o Porto”.

É por isso que sabemos da importância de eleger um vereador do Bloco de Esquerda aqui na Câmara Municipal do Porto. Um vereador do Bloco de Esquerda será a garantia da esquerda socialista que não desistiu do Porto na Câmara Municipal”, defendeu.

Depois das eleições da próxima semana, na antevisão de Catarina Martins, “o Bloco, pela primeira vez, vai entrar na Câmara Municipal do Porto”.

Com o vereador bloquista, continuou a líder do BE, vai avançar a luta pela habitação e pelos transportes, além da erradicação da pobreza.

É difícil? É, mas nunca foi tão necessário”, admitiu.

No final do comício, durante o qual discursaram os vários candidatos do BE às câmaras do distrito do Porto, realizou-se uma pequena arruada improvisada até Santa Catarina.

Esta arruada é para mostrar que se pode andar em segurança na Rua de Santa Catarina, ao contrário de outras candidaturas. No Porto anda-se em segurança e mais - é muito importante andar e ouvir as pessoas”, explicou aos jornalistas.

O recado de Catarina Martins era para o presidente do Chega, André Ventura.

Ao contrário de André Ventura, eu nunca me escondi das pessoas nem vou esconder e o Bloco de Esquerda tem muito prazer em andar na cidade do Porto livremente. E aqui, como estão todos a ver, anda-se em segurança, conversa-se com as pessoas e é assim que se aprende a resolver os problemas”, atirou, numa referência à arruada que o Chega fez no sábado na mesma artéria da cidade.

O BE concorre à Câmara do Porto desde 2001, mas nos cinco atos eleitorais a que se apresentou nunca conseguiu eleger um vereador.

A vez que esteve mais próximo desse objetivo foi nas anteriores autárquicas, em 2017, com João Teixeira Lopes como cabeça de lista, quando ficou a 635 votos do resultado alcançado pela CDU, que elegeu uma vereadora, a comunista Ilda Figueiredo.

Nesse ato eleitoral, o BE elegeu três deputados municipais para a Assembleia Municipal do Porto.

Agência Lusa / JGR