O voto de repúdio apresentado pelo BE na Assembleia da República e que será votado sexta-feira em plenário exige a "imediata retratação" do presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem.

O texto convida as restantes bancadas partidárias a expressarem "o seu mais veemente repúdio pelas declarações proferidas" e "exige a sua imediata retratação".

"Como social-democrata, atribuo uma importância extraordinária à solidariedade. Mas também deve haver obrigações: não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda", afirmou o ministro das Finanças da Holanda e membro do Partido Trabalhista local em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, no domingo.

Para os bloquistas, "estas afirmações xenófobas e sexistas são inaceitáveis e um insulto a todos os cidadãos do sul da Europa".

"O respeito entre os povos deve ser um dos pilares fundamentais das relações à escala europeia. Com esta afirmação, Jeroen Dijsselbloem demonstra deter uma visão preconceituosa e chauvinista sobre milhões de cidadãos e seus respetivos países, membros de pleno direito das instituições europeias", continua o documento do BE.

Segundo o BE, "confrontado posteriormente com as suas próprias declarações por diversos deputados do Parlamento Europeu, Jeroen Dijsselbloem rejeitou qualquer pedido de desculpas aos países e povos do sul da Europa, demonstrando que as suas declarações provocatórias foram conscientes e intencionais".

Também o CDS-PP anunciou hoje que vai apresentar um voto no parlamento exigindo a demissão do presidente do Eurogrupo.

"As declarações do presidente do Eurogrupo são inaceitáveis e devem dar lugar à sua demissão imediata. Não aceitamos o preconceito que o ministro das Finanças holandês, do Partido Socialista, tem para com os países do Sul", afirmou o deputado centrista Pedro Mota Soares.

Além de considerar que as declarações são sexistas, ofendendo profundamente as mulheres e todos os portugueses, o deputado centrista referiu que denotam também "um preconceito de quem acha que os países do Sul trabalham pouco".

"Portugal, convém que nós lembremos, conseguiu em cerca de quatro anos reduzir de mais de 11% para menos de 3% o seu défice, o que significa que houve um trabalho muito profundo feito do ponto de vista interno (...) São declarações que são também sexistas e que ofendem profundamente as mulheres, os homens, os portugueses."

O Governo português, através do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros, já defenderam o afastamento de Dijsselbloem da presidência do Eurogrupo.

Apesar da polémica, o holandês recusou-se a pedir desculpa pelas suas declarações.