O PSD acusou o Governo de “impreparação e incapacidade” na gestão do dossiê TAP e de transformar a empresa numa “galeria de horrores” e num “pesadelo para os contribuintes” sem garantias de sustentabilidade.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado do PSD Cristóvão Norte referiu-se não só aos prejuízos da TAP hoje conhecidos - que ascenderam a 1.230,3 milhões de euros em 2020 -, mas também ao facto de a empresa estar sem presidente da comissão executiva há nove meses e de ainda não ser conhecido o plano de reestruturação da empresa.

“O Governo disse que o plano estaria concluído em fevereiro, já estamos em abril. Os portugueses já colocaram 1.200 milhões de euros na TAP (…) e, no cômputo geral, já é expectável que os portugueses assumam quer em termos diretos ou indiretos garantias de 3,7 mil milhões de euros”, afirmou.

Para o PSD, tal traduz “uma forma incapaz de tratar dos assuntos da TAP, penalizando os contribuintes sem oferecer garantias indispensáveis para assegurar que a empresa não se tornará mais um sorvedouro de dinheiros públicos”.

Queremos assinalar o repúdio do PSD assinalando a total impreparação do Governo, que transformou a TAP numa galeria de horrores que é um pesadelo para os contribuintes sem assegurar que o dinheiro que é colocado na TAP vai ser reprodutivo e que a empresa vai ser sustentável”, disse.

O deputado Cristóvão Norte acusou ainda o executivo de transformar a TAP “numa coutada particular” desde 2016, quando decidiu a renacionalização da companhia aérea.

De acordo com um comunicado enviado hoje pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), "o resultado líquido do ano foi negativo em EUR 1.230,3 milhões", um agravamento dos prejuízos de quase 1.300% face aos 95,6 milhões de euros de 2019.

A companhia aérea lembra que "tal como em todo o setor da aviação a operação e resultados de 2020 foram severamente impactados pela quebra de atividade em resultado da pandemia de covid-19".

Na TAP, o número de passageiros transportados caiu 72,7%, as receitas de passagens caíram 70,9%, o índice de ocupação ficou nos 64,6% (tinha sido de 80,1% em 2019), de acordo com o comunicado.

/ MJC