O candidato da CDU a presidente da Câmara de Lisboa, João Ferreira, defendeu esta quinta-feira a necessidade de manter um policiamento de proximidade para a segurança nos bairros onde se têm verificado situações de criminalidade em contexto de diversão noturna.

Questionado sobre os polémicos ajuntamentos nas ruas de bairros como o Bairro Alto ou Santos, que têm causado fricção com os moradores e levantado questões de segurança, João Ferreira defendeu que o espaço público deve ter condições para ser “ocupado de forma saudável” pela população, “conciliando preocupações de moradores com as preocupações daqueles que se querem divertir, o que exige uma atenção especial aos horários” e também à segurança nos bairros.

Criar condições no espaço público para ele ser ocupado de uma forma saudável pela população, mas regrada tendo em conta o que são preocupações justas de moradores que querem ter o seu direito ao descanso, é o caminho a seguir”, sublinhou.

Para manter a segurança, o candidato defendeu que “assume particular importância” um policiamento “que se baseie na proximidade e que exige também esquadras que sejam de proximidade”.

Isto exige reverter o caminho que foi seguido nos últimos anos de encerramento de inúmeras esquadras na cidade. Tudo o que eram esquadras que asseguravam um serviço de proximidade, que eram importantes para garantir segurança e tranquilidade nos bairros, foram sendo encerradas. Aliás, as zonas de que se tem falado são um bom exemplo disso, porque viram algumas destas esquadras serem encerradas nas proximidades. Esse é um caminho que se tem revelado prejudicial”, considerou.

João Ferreira sublinhou que o argumento para o encerramento das esquadras de proximidade foi o de os polícias andarem mais nas ruas, mas “a verdade é que isso não se verificou”.

E nós perdemos as esquadras e com elas o efeito dissuasor que elas têm e a segurança e tranquilidade que asseguram às populações e nos bairros onde estão implantadas. É esta visão de proximidade, de serviços públicos de proximidade, incluindo no que diz respeito à segurança, que ajuda também a criar um espaço público mais saudável do que aquele que temos tido”, concluiu.

Nas últimas semanas, Lisboa tem registado situações de criminalidade violenta em contexto de diversão noturna, nomeadamente no Bairro Alto, Cais do Sodré e Santos, com ocorrências como esfaqueamentos.

O presidente da Junta de Freguesia da Estrela informou esta quinta-feira, em declarações à Lusa, que os empresários da zona de Santos, em Lisboa, vão encerrar os estabelecimentos às 23:00, três horas mais cedo do que o habitual, entre quinta-feira e domingo, de modo a controlar os ajuntamentos noturnos

Esta decisão pretende apoiar o trabalho da PSP e assegurar que não há “ajuntamentos a partir das 02:00” e surgiu após uma reunião, na quarta-feira à noite, com os empresários, para discutir a questão dos ajuntamentos e da segurança na área do Largo Vitorino Damásio e envolvente do Jardim de Santos.

Na quarta-feira, moradores e comerciantes da zona lisboeta do Bairro Alto também se manifestaram preocupados com a criminalidade associada a ajuntamentos na via pública durante a noite, inclusive o aumento de ‘gangues’, defendendo o reforço do policiamento de proximidade.

O levantamento gradual das restrições em função da vacinação contra a covid-19 arrancou em 01 de agosto, com regras aplicáveis em todo o território continental, inclusive o limite de horário de encerramento até às 02:00 para a restauração.

Concorrem à presidência da Câmara de Lisboa, no domingo, Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), Beatriz Gomes Dias (BE), Bruno Horta Soares (IL), João Ferreira (CDU - coligação PCP/PEV), Nuno Graciano (Chega), Manuela Gonzaga (PAN), Tiago Matos Gomes (Volt), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Líber (movimento Somos Todos Lisboa).

Agência Lusa / NM