O desfile de celebração do 25 de Abril organizado pela Comissão Promotora continua a gerar polémica nas fileiras dos liberais, ainda que o desfile tenha sido aberto a todos os interessados - desde que respeitem as regras sanitárias - João Cotrim Figueiredo sustenta que seria incapaz de desmobilizar a ação convocada pelo seu partido e ataca o apelo a que todos os participantes devem subscrever.

Em entrevista à TVI24, Cotrim Figueiredo critica o facto de, pela primeira vez desde que há memória do Dia da Liberdade, “não só temos regras sanitárias, como os participantes têm de assinar algo que parece um editorial do Avante!”.

Era o que mais faltava ter de assinar um papel que pede pureza ideológica para participar numa manifestação do 25 de Abril. A única opinião que interessa nesta data é ‘eu não desejo regressar ao 24 de abril’, é a única”, afirma, sustentando a sua crença de que o documento terá saído diretamente da caneta de alguém ligado ao Partido Comunista.

Depois de ter visto o seu pedido de adesão ao desfile da Comissão Promotora, Cotrim Figueiredo explica que os liberais colocaram a sua organização em marcha, que culminou com a mobilização de várias pessoas.

Especialmente jovens, que não tendo memória da realidade de Abril, desejam participar nela”, explica, adiantando que não seria capaz de os desmobilizar, já que “é um sinal que podemos dar força e vida” à data da revolução dos cravos.

A decisão anteriormente tomada pela limitava a participação às entidades que integram a comissão promotora, o que levou a uma polémica com os partidos Iniciativa Liberal e Volt Portugal, que estavam impedidos de participar. A decisão foi tomada numa reunião virtual da comissão promotora, composta por mais de 40 entidades, que começou pelas 15h30 e se prolongou durante cerca de quatro horas.

O partido Volt Portugal decidiu entretanto integrar o desfile na Avenida da Liberdade, considerando que a data “deve ser um momento de unidade”.

“O 25 de Abril deve ser um momento de unidade mais do que divisão”, vincou.

Em comunicado, o Volt Portugal escreve que “assumir o erro e mudar de posição é a atitude certa quando as razões para o fazer são justas”.

Porém, o capitão de Abril e coronel Vasco Lourenço rejeita ter existido um erro e explica o porquê de a Comissão ter voltado atrás e aberto o desfile a todas as entidades que queiram participar.

“Quisemos acabar com a especulação distorcida de que a comissão estava a tentar limitar a liberdade, quando não era isso que estava em causa”, diz à TVI24, rejeitando que qualquer natureza política ou ideológica tenha estado no cerne da mudança de estratégia.

Segundo Lourenço, a Comissão reviu os critérios e abriu a participação a todos. Sendo que, “é uma atividade organizada por uma comissão promotora que, logicamente, define as regras do desfile”.

As regras que primeiro rejeitaram a adesão da Iniciativa Liberal foram definidas por razões de limite de participantes, já que, segundo o Capitão de Abril, a DGS colocou enormes restrições à participação. 

“E, sem estar a discutir o problema de partidos, ou de outro tipo de organizações, o que se fez foi, a certa altura, chegar à conclusão de que se devia limitar a adesão às organizações que pertenciam à comissão promotora e não alargar a mais ninguém”, explica, Lourenço, dizendo também que, a certa altura, começaram a aparecer pedidos de outras organizações e a todos foi-lhes dito que não seria possível.

Assim, Vasco lourenço remata que nunca teve em discussão singularidades partidárias e que, quem está na Comissão Promotora, está porque quer estar. “ Não se previa este tipo de especulação.

A comissão promotora do desfile comemorativo do 25 de Abril de 1974 na Avenida da Liberdade, em Lisboa, decidiu esta sexta-feira abrir o evento à participação de todas as entidades interessadas, embora estabelecendo regras por causa da pandemia.

Em comunicado, a comissão pede a “todos os interessados” na participação no desfile “que não estejam integrados nas organizações que constituem a comissão promotora” que cumpram as regras sanitárias impostas pela Direção-Geral da Saúde.