O ex-ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, manifestou hoje ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal [DCIAP] "total e completa disponibilidade e interesse" em ser ouvido sobre o caso de Tancos, disse o próprio à agência Lusa.

Face às notícias de hoje sobre o chamado `caso de Tancos´, contactei o DCIAP, tendo manifestado, "com respeito pleno pela autonomia decisória da PGR [Procuradoria-Geral da República], a minha total e completa disponibilidade e interesse em ser ouvido pela investigação deste caso", disse José Azeredo Lopes, numa declaração enviada à Lusa.

Na mesma declaração, José Azeredo Lopes acrescentou que reitera tudo o que afirmou "até à data" sobre aquele caso.

Em comunicado, o Ministério Público confirmou que "Azeredo Lopes manifestou junto do DCIAP a disponibilidade e interesse em ser ouvido no âmbito do processo" e informa que, "no âmbito de qualquer inquérito e das suas competências, fará todas as diligências que considerar necessárias à descoberta da verdade".

Veja também: Ex-chefe de gabinete garante ter avisado Azeredo Lopes da encenação em Tancos

O Público e Correio da Manhã escrevem, esta quinta-feira, que o tenente-general Martins Pereira, ex-chefe de gabinete do anterior ministro da Defesa, disse na quarta-feira no interrogatório judicial ter informado Azeredo Lopes sobre o memorando da Polícia Judiciária Militar (PJM), que descreve uma operação de recuperação do material militar furtado em Tancos.

Na carta que enviada ao primeiro-ministro, António Costa, no dia em que apresentou a demissão, 12 de outubro, Azeredo Lopes voltou a desmentir categoricamente que tenha tido conhecimento “direto ou indireto, sobre uma operação em que o encobrimento se terá destinado a proteger o, ou um dos autores do furto”.

Já no passado dia 4, em Bruxelas, Azeredo Lopes afirmou que “é totalmente falso” que tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo.

“Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar que terá havido um qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos”, declarou Azeredo Lopes, em Bruxelas.

No dia 04, e numa declaração à Lusa, o general Martins Pereira admitiu que recebeu em novembro o coronel Luís Vieira (ex-diretor da PJM) e o major Brazão, mas frisou que nunca “descortinou” qualquer "indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

Nessa declaração, Martins Pereira, que foi quarta-feira ouvido pelo juiz de instrução na qualidade de testemunha, não se referiu a qualquer documento da PJM.

O furto de material de guerra dos paióis de Tancos foi divulgado pelo Exército no dia 29 de junho de 2017. A 18 de outubro a PJM anunciou que recuperou o material furtado, sabendo-se depois que faltavam munições e que foi encontrada uma caixa a mais.

Em setembro passado, uma investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da PJM e da GNR e de um civil.

Na mesma altura, foi noticiado que a PJM terá montado uma operação de encenação da recuperação do material furtado, que dela terão dado conhecimento ao chefe de gabinete do então ministro da Defesa.

Dias depois da demissão de Azeredo Lopes, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, também se demitiu, tendo sido substituído pelo general Nunes da Fonseca.

O inquérito tem 9 arguidos constituídos e está em segredo de justiça.