A escolha do socialista Pedro Adão e Silva para comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril tem estado envolta numa grande polémica, principalmente à direita.

Rui Rio chegou a dizer que a nomeação foi uma “compensação” pelos comentários feitos a favor do Governo em vários órgãos de comunicação social, como a TSF ou o Expresso. 

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Em resposta, numa entrevista à TVI24, Adão e Silva utilizou um tom irónico para dizer que ficou triste por saber que o presidente do PSD não acompanhava os seus comentários políticos.

Fiquei triste por ver que Rio não acompanha os meus comentários (...) É uma acusação certamente feita a quente, que eu atribuo ao contexto de campanha eleitoral”, disse.

Mas não ficou por aqui. O socialista, que afinal já não é militante do PS, fez questão de esclarecer que tem "autonomia pessoal e financeira" e que esta nomeação não se trata de um “jobs for the boys”.

Eu tenho a minha autonomia pessoal e financeira, por isso não ando à procura de empregos”, assegurou. 

Na mesma linha, esclareceu que vai suspender o vínculo enquanto professor auxiliar no ISCTE para assumir a tempo inteiro as novas funções, ainda que o cargo não o exigisse: "Em relação à minha situação, eu passarei a ser comissário executivo e vou suspender o meu vínculo na universidade”.

"Serei equiparado a diretor-geral e isso é o critério mínimo”

Pedro Adão e Silva explicou ainda que a remuneração enquanto comissário executivo "não é um complemento", mas sim um "substituto" à sua remuneração atual. 

Serei equiparado a diretor-geral e isso é o critério mínimo”, declarou dizendo que há quem seja equiparado a secretário de Estado ou gestor público.

Relativamente às críticas sobre a disponibilização de um motorista e de uma equipa de cinco assessores, Adão e Silva disse que "o que está definido em Conselho de Ministros é uma baliza máxima”. 

Classificou a questão do motorista como "caricata", uma vez que em Lisboa, garantiu, anda de transportes públicos. 

Isto é um motorista que existe na secretaria-geral e que estará ao serviço desta estrutura (...) Não é um motorista pessoal para eu andar no banco de trás a passear. Isso não faz nada o meu género”, referiu. 

"Nunca teria aceitado o lugar sem o envolvimento do Presidente"

Numa entrevista em que refutou todas as críticas que lhe têm sido apontadas, Adão e Silva começou por dizer que tinha encarado este "enorme desafio" com "grande honra" e que jamais o aceitaria sem o aval de Marcelo Rebelo de Sousa.

Ainda assim, assegurou que nas próximas legislativas, caso seja eleito um novo primeiro-ministro, vai colocar o seu lugar à disposição. 

Cláudia Évora