O comentador da TVI Rui Moreira teceu rasgados elogios ao discurso do Presidente da República nas comemorações do 25 de abril, onde Marcelo Rebelo de Sousa fez um discurso que procurou fazer as pazes com a história do país e apaziguar os dois lados. Para o comentador, este foi “seguramente” o “melhor discurso de Marcelo Rebelo de Sousa”.

Numa altura em que o discurso político na sociedade portuguesa se tem vindo a extremar, com um lado a “desculpabilizar” e a “branquear” alguns aspetos da história portuguesa e outro que quer os portugueses a “viver com um sentimento de culpa exacerbada”, Rui Moreira acredita que este discurso é particularmente pertinente.

Umas vezes somos negacionistas em relação ao passado e outras vezes dizemos mal de tudo. Marcelo tentou explicar que é através do entendimento do que somos que vivemos melhor. Num tempo de populismos de direita e à esquerda, esse é um discurso de liberdade e de democracia”, sublinhou.

Rui Moreira disse ainda ser importante não olhar para história à luz dos atuais valores.

Se analisarmos a história à luz dos valores de hoje, qualquer dia acusamos D. Afonso Henriques de violência doméstica contra a mãe", brincou.

Rui Moreira falou ainda da queda do PIB em Portugal, não se mostrando surpreendido com a queda de cerca de 3% registada no país. No entanto, o autarca do Porto olha com preocupação para o desempenho dos países da zona euro, quando comparados com os EUA e a China.

Confinamento explica muita coisa, mas vamos demorar muito tempo a recuperar desta destruição de valor e de riqueza. No entanto, há alguns dados positivos: as exportações de bens subiram 6% enquanto as importações caíram 5,7%. Mas falta-nos o turismo e o consumo interno”, destacou.

O comentador admite ainda que os números registados por Portugal possam vir a melhor no futuro, mas sublinha que essa subida será lenta e que a economia portuguesa se manterá “anémica”.

Quanto há trambolhões na economia internacional somos aqueles que descem mais e quando o PIB começa a crescer somos aqueles que normalmente o PIB cresce mais lentamente”, explicou.