O Governo admitiu, esta segunda-feira, retirar as 19 freguesias nos concelhos de Lisboa, Amadora, Loures, Odivelas e Sintra do Estado de Calamidade e adiantou que as restrições aplicadas nesta zona, nomeadamente nos horários de funcionamento dos estabelecimentos, irão manter-se.

“Não há hoje razões para distinguir estes cinco municípios [Lisboa, Odivelas, Sintra, Amadora e Loures] da restante Área Metropolitana de Lisboa. Isto significa que as medidas devem ser aplicadas de uma forma transversal, intensiva, em toda a Área Metropolitana”, afirmou Eduardo Cabrita, no final de uma reunião de acompanhamento da “estratégia de prevenção e controlo da covid-19 na Área Metropolitana de Lisboa”, com Governo e autarcas.

Sublinhando que não se pode “baixar a guarda” relativamente à “vigilância muito intensa” que tem vindo a ser feita, o ministro da Administração Interna remeteu para o Conselho de Ministros de quinta-feira uma decisão final sobre a possibilidade de as 19 freguesias atualmente em situação de calamidade (localizadas nestes cinco concelhos) passarem para a situação de contingência (nível mais reduzido).

“Admitimos que sejam todos eles colocados na situação de contingência, situação que hoje se aplica à Área Metropolitana de Lisboa”, salientou.

O ministro da Administração Interna adiantou também que, de qualquer forma, irão manter-se as restrições que neste momento são aplicadas na Área Metropolitana de Lisboa, como o encerramento generalizado dos estabelecimentos comerciais às 20:00 - à exceção dos supermercados, que podem funcionar até às 22:00, e espaços como farmácias -, e a manutenção da proibição do consumo de bebidas alcoólicas na via pública.

A generalidade de Portugal continental entrou no dia 1 de julho em situação de alerta devido à pandemia de covid-19, com exceção da Área Metropolitana, que passou para o estado de contingência.

Nesta zona, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos - Loures, Amadora, Odivelas, Lisboa e Sintra - permaneceram em estado de calamidade.

As 19 freguesias que estão em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e a freguesia de Rio de Mouro) e duas freguesias de Loures (uniões de freguesias de Sacavém e Prior Velho, e de Camarate, Unhos e Apelação)Covid-19: Dois terços dos 119 surtos ativos em Lisboa e Vale do Tejo estão na Área Metropolitana - MAI

Dois terços dos surtos são na região de Lisboa e Vale do Tejo

Dois terços dos 119 surtos ativos de Covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) registam-se na Área Metropolitana de Lisboa (AML), disse hoje o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Relativamente à AML, estamos a falar de cerca de dois terços desses surtos ativos”, revelou Eduardo Cabrita, no final de uma reunião de acompanhamento da “estratégia de prevenção e controlo da covid-19 na Área Metropolitana de Lisboa”, com Governo e autarcas, quando questionado sobre quantos dos 119 surtos ativos em LVT se concentram na AML.

Depois de ter admitido que todos os concelhos da Área Metropolitana de Lisboa possam vir a ser colocados “na situação de contingência”, porque “não há hoje razões para distinguir” os municípios de Lisboa, Loures, Amadora, Sintra e Odivelas (que continuam com 19 freguesias em situação de contingência), o ministro da Administração Interna revelou que se passou de uma média de 350 a 400 novos casos diários há um mês para cerca de 170 na última semana na região de LVT.

Ainda segundo o ministro da Administração Interna, “o fator R”, que indica o número de pessoas a quem um infetado, em média, transmite o vírus, varia entre os 0,7 e os 0,8 nos cinco municípios da AML que têm ainda freguesias em situação de calamidade.

Ou seja, referiu, “cada novo caso tem uma capacidade de infeção, de propagação da doença, inferior a um”.

Há uma redução do número de casos, quer dos casos ativos, quer dos novos casos em todos os cinco municípios”, enfatizou, apontando também uma “estabilização de casos muito significativa em Sintra e na Amadora”.

Relativamente a Loures, os valores estão “claramente abaixo dos verificados no início da adoção de medidas”, enquanto a freguesia de Santa Clara, a única em situação de calamidade no concelho de Lisboa, está num “nível muito próximo do número de casos registados noutras freguesias da cidade, acrescentou.

São estes resultados que queremos consolidar, este esforço vai ser mantido plenamente durante o mês de agosto, o que estamos a trabalhar ativamente é pela consolidação dos bons resultados”, salientou.

/ AM