O primeiro-ministro e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol reuniram-se esta semana, preocupados com o impacto do caso Marega na candidatura ibérica à organização do Mundial 2030. A reunião, mantida em segredo, foi revelada esta sexta feira à noite na TVI em "Primeira Mão", espaço de informação semanal do jornalista Pedro Santos Guerreiro.

O encontro foi marcado depois das manifestações racistas no estádio do Vitória de Guimarães, que levaram à indignação e saída do jogador do FC Porto do campo. A notícia, bem como as imagens, espalhou-se por todo o mundo. Tal deixou inquieta a candidatura de Portugal e Espanha ao evento, que está a ser discretamente preparada pelos dois países mas cujo trabalho já está avançar, incluindo já trabalho com consultores externos.

Pedro Santos Guerreiro detalhou que estão em marcha já três candidaturas, cuja escolha acontecerá em 2023, depois de muito trabalho de preparação e divulgação entre as federações mundiais de futebol. Além da candidatura de Portugal e Espanha, perspetiva-se uma candidatura proveniente da América Latina (que inclua Uruguai, Paraguai e Argentina) e outra das ilhas britânicas (liderada por Inglaterra).

A percepção do governo e da FPF é de que a candidatura ibérica - que está alinhada politicamente entre Portugal e Espanha - tem fortes possibilidades de vencer. Se tal acontecer, dois terços dos jogos deverão ocorrer em Espanha e um terço em Portugal. Como nesse Mundial já haverá 48 seleções, tal significaria que 16 delas estariam em Portugal, o que equivale à dimensão do Euro 2004. O facto de Portugal ter estádios construídos precisamente no Euro 2004 é um dos pontos fortes da candidatura. 

Foi por isso que António Costa e Fernando Gomes se reuniram, para analisar de que forma pode Portugal superar a questão reputacional gerada com o caso Marega. O essencial é não só concluir os processos entretanto abertos sobre o jogo de domingo passado como garantir que semelhantes casos não venham a ocorrer, o que exige alterações que responsabilizem os clubes que organizam os jogos. Várias autoridades estão envolvidas no processo, preparando-se alterações também já em curso para a próxima época (e que já estavam previstas antes do caso Marega). Uma delas será a separação das claques nos estádios de futebol dos demais adeptos, com identificação dos membros das claques presentes no jogo através do cartão de espectador.

OPA do Benfica travada na CMVM

No mesmo programa, Pedro Santos Guerreiro explicou ainda por que razão a OPA lançada sobre a SAD do Benfica ainda não teve luz verde, arrastando um processo que o clube encarnado esperava ter visto concluído em janeiro passado.

Em causa não está tanto o factor preço, mas sobretudo eventuais conflitos de interesses que resultam de negócios particulares entre a família de Luís Filipe Vieira e José António dos Santos, maior acionista particular da SAD. A CMVM quer o Benfica declare todos os interesses antes de aprovar a operação. E quer proteger os acionistas minoritários da SAD de poderem vir a ser prejudicados na operação, incluindo quanto à possibilidade de a SAD poder pagar dividendos depois da OPA, coisa que nunca fez enquanto foi cotada em Bolsa.   

Pedro Santos Guerreiro