O Conselho de Jurisdição do Livre propõe atuação disciplinar para Joacine Katar Moreira ou para a direção do partido. Em comunicado, o Conselho de Jurisdição diz que a decisão surge depois de analisar o pedido de parecer aprovado pela Assembleia do Livre no passado dia 24 de Novembro.

Assim sendo, a Comissão de Ética e Arbitragem ficou encarregue de elaborar "um parecer tendo em vista a apuração dos factos subjacentes ao conflito entre o Grupo de Contacto e Joacine Katar Moreira e o seu gabinete".

A comissão terá ainda de esclarecer "as dúvidas existentes quanto à forma de estabelecer o adequado relacionamento entre os órgãos do partido e os seus eleitos para cargos políticos".

Depois de analisado o conflito e esclarecidas as dúvidas, a comissão terá então de propor ou soluções ou "atuação disciplinar, se for caso disso".

Este parecer tem de ser apresentado no prazo de 8 dias e Ricardo Sá Fernandes foi nomeado como relator.

O anúncio de uma possível atuação disciplinar surge no mesmo dia em que um dos membros fundadores anunciou o seu afastamento do partido

O Livre e a sua deputada única, Joacine Katar Moreira, têm estado envoltos em polémicas desde a eleição da parlamentar, em 6 de outubro, primeiro devido à gaguez da ativista e a consequente necessidade de tolerância nos tempos de intervenção, à qual o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, tem acedido.

Recentemente, foram tornados públicos desentendimentos entre a direção do partido e a deputada na sequência da abstenção de Joacine Moreira face a um voto de condenação da ação militar israelita na Faixa de Gaza, seguindo-se trocas de acusações de falta de lealdade política ou de falta de solidariedade ainda durante a campanha eleitoral.

Há dois dias, Joacine Moreira entregou no parlamento um projeto de lei sobre a nacionalidade, uma das principais bandeiras do partido nas eleições, mas fora do prazo consensualmente estabelecido na anterior legislatura entre as bancadas dos partidos com assento parlamentar.

Na terça-feira, a deputada única do Livre protagonizou um momento insólito em São Bento, com o seu assessor a pedir a um elemento da Guarda Nacional Republicana para a escoltar a fim de evitar responder a perguntas de jornalistas.

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/ AM