O CDS-PP defendeu, esta segunda-feira, que o apuramento de responsabilidades no caso dos ‘kits’ de proteção do programa “Aldeias Seguras” tem que “ir mais longe e mais alto”, além do dirigente do PS local “com profissão de padeiro”.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente e deputado do CDS Telmo Correia criticou o “jogo” do empurra de responsabilidades entre primeiro-ministro, ministro da Administração Interna e secretário de Estado neste caso, que acabou no “técnico especialista, que é autarca ou dirigente do PS local, com a profissão de padeiro, e que será o bode expiatório disto tudo”.

É evidente que me parece muito pouco. Não começamos por pedir demissões, antes do apuramento dos factos, mas obviamente que o apuramento de responsabilidade, na nossa opinião, tem que ir mais longe e tem que ir mais alto”, acrescentou.

Telmo Correia ironizou não esperar, da parte do primeiro-ministro, António Costa, que venha a assumir "qualquer tipo de responsabilidade", pelos exemplos passados, nos grandes incêndios florestais de 2017 ou ainda no caso do furto de material militar dos paióis de Tancos, também nesse ano.

Há um responsável que não tem nada a ver com o assunto, não saberá de nada, estará ao largo ou a ver as coisas por uma televisão que é o primeiro ministro, António Costa", acrescentou.

Para Telmo Correia, este é um caso que "revela o PS no seu esplendor, de compadrios vários", acusou.

O técnico Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, demitiu-se hoje, após ter sido noticiado o seu envolvimento na escolha das empresas para a produção dos ‘kits’ de emergência para o programa “Aldeias Seguras”, tendo o pedido sido aceite pelo secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.

O Jornal de Notícias, que já tinha noticiado sexta-feira o facto de as 70 mil golas antifumo, com um custo de 125 mil euros, serem de material inflamável e não terem tratamento anticarbonização, adiantou hoje que Francisco Ferreira, também presidente da concelhia do PS/Arouca, foi quem recomendou as empresas para a compra das golas, 15 mil ‘kits’ de emergência com materiais combustíveis e panfletos entregues às 1.909 povoações abrangidas pelo programa.

No sábado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, mandou abrir um inquérito urgente sobre contratação de material de sensibilização para incêndios.