Os responsáveis de Livre e PCP convergiram hoje em temas como as leis laborais ou a necessidade de aumento do salário mínimo nacional e o combate às alterações climáticas, numa breve reunião de meia hora no Parlamento.

"O Livre pediu estas conversas a todos os partidos de esquerda e também ao PAN, no fundo para estabelecer os primeiros canais de comunicação para trabalho nesta legislatura. Temos vários pontos em comum em termos programáticos", disse a dirigente do partido da papoila [símbolo do Livre] Isabel Mendes Lopes, elencando como prioridades para os próximos quatro anos "a questão laboral, as alterações climáticas e a precariedade".

Segundo a representante do Livre, "o valor fixado [pelo Governo para o salário mínimo nacional] não satisfaz".

Nós defendemos que deve ser de 900 euros até final da legislatura, ou seja, até 2023", afirmou, condenando a intenção do primeiro-ministro de atingir o valor de 750 euros dentro de quatro anos.

O dirigente comunista Jorge Pires também criticou a proposta do executivo minoritário do PS: "Nós apresentámos uma proposta de 850 euros e vamo-nos bater por ela. Aquilo que o programa de Governo diz sobre esta matéria é claramente insuficiente porque aponta para um valor de 750 euros no final da legislatura, mas ainda sujeito àquilo que vão ser as negociações na concertação social".

"Esta não era uma reunião para tirar conclusões, foi mais de apresentação, onde foi possível conversarmos sobre algumas questões que têm que ver com as prioridades do partido Livre e das nossas prioridades", descreveu o membro da comissão política do Comité Central comunista, citando como temas do encontro "direitos dos trabalhadores, salário mínimo, creches (gratuitas), questões do ambiente, problemas e consequências da digitalização no mercado de trabalho".

Segundo Jorge Pires a ação dos dois partidos no parlamento "pode coincidir".

Veremos depois, perante as propostas concretas. Logo veremos se há ou não essas convergências", afirmou.

O PCP esteve ainda representado pelo deputado e vice-presidente da bancada António Filipe e o membro do Comité Central comunista José Neto.

Por seu turno, Isabel Mendes Lopes justificou a ausência da deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, com as "muitas solicitações e grande dificuldade de conciliar a agenda" nos últimos dias. O Livre teve ainda a também dirigente Safaa Dib presente neste encontro com o PCP.