A ministra da saúde, Marta Temido adiantou esta terça-feira, no final da reunião do Infarmed, que o Governo está a preparar a próxima fase do desconfinamento, mas não confirmou se esta avança já a 3 de maio.

Estamos a preparar aquilo que pode ser o avanço relativo à próxima fase, em maio", afirmou Marta Temido.

Contudo, a ministra alertou que é necessário "continuar a lutar contra a pandemia porque ela não está ultrapassada". 

Entre os resultados positivos da situação epidémica, a ministra sublinhou a diminuição da mortalidade da covid-19 em Portugal  e o aumento da intensidade de testagem, que tem revelado uma diminuição da taxa de positividade.

Por outro lado, referiu que o aumento da incidência no grupo etário dos 10 aos 19 anos e a tendência crescente em algumas áreas na região norte é algo a manter a atenção.

O Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e representantes dos partidos reuniram-se esta terça-feira com peritos de saúde pública de várias instituições para uma análise da evolução da pandemia da covid-19 no país.

A sessão sobre a “situação epidemiológica da covid-19 em Portugal” aconteceu nas instalações da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), em Lisboa.

Desconfinamento foi deliberadamente lento", frisou ainda a ministra.

Ministra da Saúde admite condicionamentos no plano de vacinação 

A ministra da Saúde reconheceu esta terça-feira que as entregas das farmacêuticas e os limites de idade para administração em duas das quatro vacinas disponíveis (AstraZeneca e Janssen) “podem condicionar o plano de vacinação contra a covid-19.

Há dois temas que condicionam o plano: as entregas – em que temos tido contratempos e algumas situações complexas que deram origem a medidas mais musculadas da Comissão Europeia, e a situação de algumas vacinas que, no seguimento da vigilância farmacológica, foram consideradas possivelmente associadas a fenómenos adversos extremamente raros”, explicou a governante.

Em declarações prestadas após a reunião no Infarmed, que juntou especialistas, membros do Governo e o Presidente da República para a análise da situação epidemiológica do país, Marta Temido reiterou o “respeito escrupuloso pela decisão técnica”, sem deixar de lembrar que “essas duas circunstâncias podem condicionar o plano de vacinação”.

Durante a sua apresentação, o coordenador da ‘task force’ responsável pelo processo de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, revelou que as condicionantes relacionadas com idade poderão limitar a administração de meio milhão de vacinas neste segundo trimestre e cerca de 2,7 milhões no terceiro trimestre, atrasando dessa forma o cumprimento da meta dos 70% de proteção da população para o final do verão.

Contudo, a ministra da Saúde preferiu realçar o cumprimento de objetivos mais imediatos, nomeadamente a vacinação de todas as pessoas com “mais de 60 anos na terceira semana”, e o “contrapeso” proporcionado pela entrega antecipada de vacinas anteriormente contratadas à Pfizer/BioNTech anunciado recentemente pela Comissão Europeia.

A evolução da covid-19 no país foi também enaltecida ao nível da letalidade da doença, com a ministra a notar “uma letalidade que é metade da que foi registada o ano passado e um quinto da que era registada há um ano".

Em Portugal, morreram 16.965 pessoas dos 834.638 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Rafaela Laja