A líder do CDS-PP considerou hoje que o Orçamento do Estado para 2019 é uma “imensa oportunidade perdida” e dramatizou o discurso dizendo que a situação do país “é pior que no tempo da troika”.

Assunção Cristas encerrou, pelo CDS, o debate do OE2019 no Parlamento, e criticou a continuada “contradição deste Governo”, que é ter a “maior carga fiscal de sempre de braço dado com os piores serviços públicos de sempre”.

A frase seguinte do discurso foi uma frase que a líder centrista disse ter ouvido “dizer por todo o país: ‘Está pior que no tempo da troika’”.

Para Assunção Cristas, o primeiro-ministro, António Costa, nestes três anos de Governo, “não virou a página da austeridade”, afirmando que ela “mudou de roupa, maquilhou-se”, passando “dos impostos diretos para os indiretos”, dos “cortes de despesa a cativações brutais” que levaram ao “maior corte de sempre no investimento público”.

Este orçamento, afirmou, é mau porque “sufoca de impostos famílias e empresas”, “não olha para os problemas estruturais da demografia ou do abandono do interior” e por deixar “asfixiado o combate à corrupção”.

Assunção Cristas tentou contrariar “o país cor de rosa de António Costa”, que, disse, “simplesmente não cola com a realidade”.

E deu exemplos dos últimos anos que, segundo argumentou, não foi dada prioridade à saúde, ao “tratamento das crianças com cancro no Hospital de São João”, no Porto, as consultas e cirurgias adiadas e canceladas “em larga escola”.

“Não está tudo bem”, acrescentou, quando “este Governo bate o recorde de greves” na função pública, “dos professores aos médicos, dos enfermeiros às forças de segurança”.

A presidente do CDS-PP parodiou ainda a posição do ministro do Ambiente, por ter dito que se as famílias baixarem a potência elétrica os portugueses pagam menos impostos, dando como exemplo que se todos andarem “a pé e as mercadorias forem transportados de bicicleta, poupa-se em impostos sobre os combustíveis”.

“O problema é que não se vive. Sobrevive-se. E não é isso que queremos”, disse.

O CDS pretende afirmar-se como alternativa, dando a líder centrista o exemplo das propostas feitas pela sua bancada para o Orçamento do Estado, procurando aumentar a produtividade, aliviar a carga fiscal, melhorar a ação da justiça.

Por fim, Assunção Cristas criticou diretamente António Costa, a sua “arrogância e sobranceria politica”, por não discutir o Orçamento no parlamento, a falta de “sensibilidade social e empatia com o sofrimento” dos portugueses que sofreram com os incêndios de 2017.

E, num momento de vozearia nas bancadas da maioria de esquerda. Assunção Cristas prometeu que se for primeira-ministra estará “presente para as notícias boas, mas também nas más”.

O CDS vai votar contra o Orçamento do Governo PS, que tem o apoio parlamentar dos partidos de esquerda, PCP, BE e PEV.

PSD acusa Governo de ter feito “um orçamento mentiroso”

O PSD acusou hoje o Governo de ter elaborado o Orçamento do Estado para 2019 com base “em mentiras”, considerando que não foi revelado o valor do défice real e que o documento será alterado por via das cativações.

“Um Orçamento mentiroso, porque afinal o défice orçamental foi reiteradamente escondido ao longo deste debate”, acusou o deputado e vice-presidente da bancada do PSD Adão Silva, na intervenção de encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2019, em que foi aplaudido de pé no final pela sua bancada.

Por outro lado, acrescentou, este é “um Orçamento com mentiras porque, pela via das cativações, nas costas dos deputados e dos portugueses e no secretismo dos gabinetes do primeiro-ministro e do ministro das Finanças será ajustado, reajustado, cortado e recortado, a seu jeito e proveito”.

“Se, como dizia o primeiro-ministro, ‘um orçamento sem cativações é um carro sem travões’, exige-se que o primeiro-ministro vá rapidamente à oficina, porque ficou com os calços dos travões colados. É veículo que não sai do sítio, por mais que acelere. Faz barulho, muito barulho, mas permanece parado no mesmo lugar”, ironizou.

Adão Silva salientou que entidades independentes como a Unidade Técnica de Apoio Orçamental ou o Conselho das Finanças Públicas já alertaram para discrepâncias ou falta de transparência no documento.

“Banalidades, contestará o primeiro-ministro (…). Para António Costa tudo está no melhor dos mundos. Quem há de gabar a louça se não for o louceiro?”, questionou.

O deputado disse-se espantado que BE e PCP “não se incomodem com estes exercícios enganadores”: “São enganados, mas batem palmas. São ludibriados, mas não protestam”, apontou.

Além da “marca da ilusão”, Adão Silva acusou ainda o OE2019 de ter a “marca do eleitoralismo mal disfarçado”.

“Uns, como o BE e o PCP levantam cartazes em praças e avenidas. O primeiro-ministro, mais intimista, faz comícios à conta do erário público. Todos com o mesmo propósito: caçar votos”, criticou.