Marcelo Rebelo de Sousa foi esta terça-feira duramente criticado pelos restantes candidatos que lhe querem "roubar" o lugar.

A segunda parte do debate televisivo entre todos os candidatos às presidenciais, que contou pela primeira-vez com um Presidente da República recandidato ao cargo, foi marcada por um ataque cerrado entre os rivais.

Da esquerda à direita, as críticas convergiram na "parceria" entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.

"Entre Marcelo e Costa já não se sabe onde começa um e acaba outro"

Tiago Mayan foi o primeiro a arremessar críticas a Marcelo, acusando-o de procurar os "pontos de popularidade" e de reagir apenas quando vê as sondagens recuar.

Entre Marcelo e Costa já não se sabe onde começa um e acaba outro", atirou o liberal

Já Vitorino Silva, quando questionado sobre as diferenças entre si e Marcelo, referiu que, Vitorino Silva foi buscar o conhecido episódio da Autoeuropa para manifestar “a certeza” de que, se fosse chefe de Estado, “não dava confiança” a António Costa para sugerir a recandidatura do Presidente.

“Pela minha cabeça ninguém fala e acho que Costa, na altura, não tinha procuração para falar por Marcelo, e a questão é que ele ficou meio engasgado”, prosseguiu o candidato que classificou a relação entre Presidente e chefe de Governo como “uma parceria” em que “às vezes” não se sabia “quem é que tinha a quota maioritária”. A verdade, para Vitorino, é que Marcelo aproveitou-se do eleitorado de Costa.

Também André Ventura disse que Marcelo foi o candidato do PS, facto que "é visível em vários dos diplomas aprovados e em várias tomadas de decisões".

António Costa faz o que faz porque sabe que o Presidente da República nunca o vai enfrentar."

O presidente do Chega afirmou que o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa foi uma "desilusão", utilizando as palavras de um deputado do PSD.

Quem olha para Marcelo percebe o porque é que o PS não apoia nenhum candidato." 

 

Presidente da República "deve ser o garante da estabilidade, mas não do bloco central"

Ana Gomes entende que o papel do Presidente da República tem de ser de estabilidade, "mas não do bloco central."

Num ataque mais direto, questionou: "Será estabilidade normalizar a extrema-direita?". Numa clara referência à solução governativa conseguida nos Açores. 

Marisa Matias considerou que a relação entre Marcelo e o Governo "gerou bloqueios" na resposta a problemas estruturais do país. A bloquista frisou ainda que a pandemia veio evidenciar ainda mais os problemas que já existiam e que não foram resolvidos. 

Na mesma ótica, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal referiu ainda que um Presidente tem de garantir o largo funcionamento das instituições e, "se a estabilidade é o bloqueio do país", então não quer essa estabilidade.

Também João Ferreira criticou Marcelo, considerando que o Presidente falhou em alguns momentos. O candidato comunista deu o exemplo dos trabalhadores de Matosinhos, que não receberam qualquer afeto do Presidente

Os afetos do Presidente são como a riqueza: existem, mas estão muito mal distribuídos", afirmou João Ferreira.

A resposta de Marcelo às críticas

Marcelo Rebelo de Sousa respondeu às criticas dos candidatos, considerando que ninguém foi defraudado porque fez tudo o que prometeu fazer.

O Presidente disse entender “porque é que isso acontecia”: “Porque de alguma maneira, uns e outros queriam um Presidente mais alinhado à direita, ou mais alinhado à esquerda. Ora o papel do Presidente é ser um fator de integração, de unidade. A estabilidade está ligada ao compromisso, à unidade e à ideia de proximidade que cria condições para as instituições funcionarem”, salientou o atual chefe de Estado.

As democracias que melhor funcionam são as de estabilidade e compromisso", reiterou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa os portugueses perceberam, ao contrário do que apontaram os adversários, “que o Presidente não cria crise onde já há crise, não cria vazios onde não há alternativas”.

É evidente que quem busca a estabilidade e o compromisso é criticado inevitavelmente por um lado e por outro”, ponderou.

Os sete candidatos presidenciais participaram esta terça-feira num debate entre todos, a partir do Pátio da Galé, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa, candidato a um segundo mandato em Belém, participou à distância, a partir da sua residência, depois de ter testado positivo à covid-19.

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