O ex-autarca Valentim Loureiro vai candidatar-se como independente à Câmara de Gondomar, que liderou durante 20 anos e à qual não concorreu em 2013 por causa da lei de limitação de mandatos, revelou à Lusa fonte da candidatura.

Já Valentim Loureiro afirmou à Lusa que sente que "as pessoas têm alguma saudade do tempo" em que liderou Gondomar, tendo decidido encabeçar uma candidatura focada em "continuar a ajudar a resolver os problemas dos gondomarenses".

Hesitei muito. Não porque não tenha gostado das funções que já desempenhei e sobretudo dos gondomarenses, mas porque não estava sensibilizado para isso. Convenceram-me. Mas com muita clareza, eu não me candidato para afrontar quem quer que seja. Candidato-me por pensar que posso ser útil a Gondomar e aos gondomarenses", disse à agência Lusa o candidato.

Valentim Loureiro avançou que a candidatura terá a designação "Gondomar - Valentim Loureiro - Coração de Ouro" e que o cabeça de lista à Assembleia Municipal será Leonel Viana, ex-presidente do PSD/Gondomar e ex-vereador na câmara daquele concelho do distrito do Porto.

Há muito trabalho feito mas continua a haver muito por fazer. É preciso ter sensibilidade para os verdadeiros problemas das pessoas", referiu o ex-autarca e agora candidato independente.

O ex-militante do PSD completou cinco mandatos como presidente da Câmara de Gondomar (entre 1993 e 2013), distrito do Porto, fruto de cinco atos eleitorais: nas três primeiras eleições, o então social-democrata foi o candidato do PSD e, nas duas autárquicas seguintes, apresentou-se como independente.

Em 2013 a lei da limitação de mandatos impediu uma sexta candidatura, mas Valentim Loureiro encabeçou a lista à Assembleia Municipal da candidatura do Movimento Independente "Valentim Loureiro - Gondomar no Coração", que apresentava Fernando Paulo como cabeça-de-lista à autarquia e não foi a votos por ter sido rejeitada pelo Tribunal Constitucional a menos de duas semanas das eleições.

Isaltino Morais e Narciso Miranda também querem regressar

Valentim Loureiro não é o único “dinossauro” do poder local a querer regressar à política. Isaltino Morais e Narciso Miranda também vão tentar conquistar as autarquias que lhes deram protagonismo.

A 1 de outubro, o histórico autarca de Oeiras volta a ir a votos como independente no município que geriu durante vários anos e que largou em 2013, quando foi detido para cumprir pena de prisão por fraude fiscal e branqueamento de capitais. Nessa altura, Isaltino Morais foi substituído pelo número dois da autarquia Paulo Vistas que acabou depois por ser eleito presidente com o seu apoio. Agora, nestas autarquicas, serão adversários.

A Norte, é Narciso Miranda que aposta em Matosinhos, apresentando-se como independente a uma autarquia que liderou durante vários mandatos em nome do Partido Socialista (PS). Não é a primeira vez que Narciso Miranda tenta regressar a Matosinhos. Em 2009, candidatou-se como independente contra Guilherme Pinto que tinha o apoio do PS, e acabou por perder. Nas eleições autárquicas de 2013 não foi a votos, mas este ano decidiu voltar a tentar a sorte.