O deputado do CDS-PP Filipe Anacoreta Correia defendeu esta quinta-feira que os políticos devem pautar-se por uma “ética exigente” e advertiu que a “promiscuidade com o poder” é incompatível com a “dignidade democrática”.

Intervindo pelo CDS-PP na sessão solene comemorativa dos 45 anos da Revolução dos Cravos, na Assembleia da República, em Lisboa, Anacoreta Correia defendeu que a pertença à portugalidade exige dos políticos que “sirvam o país com uma ética exigente, um escrutínio constante e um horizonte mais amplo que o mero ciclo eleitoral ou mediático”.

A promiscuidade com o poder, seja de âmbito económico, partidário ou familiar, é incompatível com a dignidade democrática”, advertiu o deputado, considerando que “a deferência diante das instituições em que se tem a honra de servir o país aconselha prudência e repúdio de banalizada familiaridade”.

Citando Alberto Caeiro, o deputado do CDS-PP disse depois que “não basta abrir a janela para ver os campos e o rio, é preciso também não ter filosofia nenhuma”, sustentando que por vezes o debate ideológico de hoje “impede” que se veja um metro à frente dos olhos.

Que mais incêndios ou secas - quantas mortes terão ainda de ocorrer! - para encararmos o isolamento dos territórios e os portugueses abandonados à sua sorte pelo centralismo eleitoralista?”, questionou.

 

O que precisaremos de constatar ainda em Tancos ou nos roubos relatados em hospitais para perceber que o Estado não pode simplesmente fingir que existe, que tem mesmo de exercer a sua autoridade?”, interrogou Anacoreta Correia,

Quarenta e cinco anos depois do 25 de Abril, o deputado do CDS-PP considerou que o tempo presente é de mudança, evocando o fundador do partido Adelino Amaro da Costa para salientar que “a moderação na política se serve da mudança para evitar a rutura”.

Quem não se servir de abertura à mudança, escancara as portas ao extremismo e pode bem ser empurrado para a rutura”, advertiu, afirmando que o CDS-PP quer comprometer-se com a mudança e protagonizá-la “com valores humanistas”.

Perante um futuro em que da Europa chegam “ventos de mudança”, o CDS-PP afirma-se “contra o desaparecimento do Estado” e quer ter uma palavra a dizer sobre a “eventual criação de impostos europeus”, disse.

E nunca esquecer que um imposto é sempre arrancado à pertença do outro: para que seja aceite tem de ser moderado e bem canalizado”, sustentou.

Ainda sobre o projeto europeu, a cerca de um mês das eleições europeias, marcadas para 26 de maio, o deputado deixou as prioridades do partido: "Devemos encorajar o investimento e o dinamismo empresarial, requalificar as competências na era digital" e "promover a concorrência, cuja ausência afeta o preço suportado pelas famílias, mas também a robustez das empresas nacionais".

No início do seu discurso, Anacoreta Correia disse que se cumprem 45 anos “do início do processo democrático que viria a consolidar-se no dia 25 de Novembro de 1975”, referindo que a duração do regime democrático se aproxima da idade do regime que o antecedeu, 48 anos.

Estaremos nós hoje atentos às mudanças que se preparam? Desejaremos nós as mudanças que nos põem em questão?”, questionou Anacoreta Correia, identificando a globalização, o envelhecimento da população e as alterações climáticas como “desafios de grande dimensão” que “obrigam a mudar de vida”.

PSD avisa que portugueses repudiarão clubismo partidário ou nepotismo

O PSD avisou hoje que “os portugueses repudiarão” qualquer Governo que administre a ‘coisa pública’ como sua, rejeitando que “critérios ‘clubístico-partidários’ ou de nepotismo” se sobreponham ao interesse coletivo.

Na sua intervenção na sessão solene dos 45 anos do 25 de Abril, na Assembleia da República, em Lisboa, o deputado do PSD Pedro Roque fez, desta forma, uma referência implícita à polémica das nomeações familiares no executivo.

Os portugueses repudiarão qualquer Governo que ouse administrar a ‘coisa pública’ fazendo uso daquilo que pertence a todos como se se tratasse de uma propriedade de qualquer partido. Rejeitamos que critérios ‘clubístico-partidários’ ou de nepotismo se sobreponham ao mérito e ao interesse coletivo”, alertou, recebendo palmas da bancada do PSD.

No seu discurso, o deputado do PSD Pedro Roque confessou que, apesar de o dia ser de “união em torno de um bem maior”, tem “alguma apreensão” com o futuro do país.

Não gostaríamos de voltar a ver Portugal sujeito a ajuda financeira externa, tal como aconteceu em 2011”, sublinhou.

Num balanço de três anos e meio de governação do que chamou de "troika coligativa", Pedro Roque enumerou que “a justiça não deixou de ser morosa”, “as queixas no Serviço Nacional de Saúde amplificaram-se”, “os salários são baixos e insatisfatórios”, “a descentralização não saiu do papel e da oratória”, “a sustentabilidade da Segurança Social continua ameaçada de morte a prazo” e “a carga fiscal também não deu sinais de baixar”.

Tudo isto, já para não falar de elevada conflitualidade laboral e greves sem precedentes”, criticou o também secretário-geral dos Trabalhadores Sociais-Democratas.

Pedro Roque assegurou que os sociais-democratas estão “focados e motivados para gerar uma alternativa governativa, capaz de criar desenvolvimento económico real e estruturalmente imune às conjunturas económicas desfavoráveis”.

O deputado do PSD acusou o Governo de uma retórica “binária”: “Por cá, panfletária para comprazer o suporte parlamentar. E em Bruxelas, ortodoxa, visando manter o estatuto de aluno aplicado”.

Toda a ciência governativa se resumiu ao exercício de uma gestão corrente adequada aos interesses de uma agenda tática, por forma a garantir a sobrevivência da coligação parlamentar. Compreende-se, mas é contraproducente”, criticou.

Pedro Roque lamentou também “uma navegação política de cabotagem, sempre com a costa à vista, sem ousadia reformista” e defendeu que a “profícua conjuntura internacional” não foi aproveitada pelo executivo.

Infelizmente, não podemos comemorar o facto dessas opções terem favorecido estruturalmente a economia, ou de terem conseguido preparar o país para responder aos sinais de crise que já se esboçam no panorama internacional”, assinalou.

Realçando o valor do diálogo e da concertação, o deputado do PSD repudiou um “crescente número de posições radicais”, nomeadamente no plano internacional.

É por isso que rejeitamos quaisquer representações ideológicas anacrónicas, tais como trabalho contra capital, público contra privado ou esquerda diabolizando a direita”, assinalou, defendendo o respeito pelas várias visões partidárias da sociedade.

 

Independentemente de perspetivas ideológicas ou arrebatamentos programáticos, cada um dos 230 deputados representa Portugal, na sua diversidade, mas também deve representar a sua capacidade de unidade”, apontou.

Pedro Roque, coordenador do grupo parlamentar do PSD na Comissão de Defesa, fez ainda questão de saudar de forma especial as Forças Armadas pelo seu papel no 25 de Abril.

O processo de democratização conducente a um Portugal progressista inaugura-se nesse momento fundador e também com o 25 de novembro de 1975”, defendeu.