O presidente da Câmara do Porto desvalorizou a quantidade de adeptos ingleses vistos no fim de semana no Porto, com falta de respeito pelas regras sanitárias e alguns confrontos, preferindo criticar a Direção-Geral da Saúde pelo "conjunto de proibições" que ainda mantém em Portugal.

"O que está mal não é virem adeptos e turistas à cidade do Porto, deixando aqui, provavelmente, 50 milhões de euros. O que está mal é o que não podemos fazer", disse, exemplificando com o encerramento obrigatório dos restaurantes às 22h30, e com um "conjunto de proibições que a DGS continua a impor e não se percebe".

Rui Moreira insistiu que quer turistas ingleses na cidade, embora reconhecendo que alguns se "concentraram na Ribeira e sem máscara", mas sublinhou que até "houve muito menos desordens desta vez".

"Aquilo que incomoda o portuense médio é ver que aquelas pessoas estão a ter um comportamento que não nos é permitido ter."

Confrontado com as críticas do presidente do PSD, Rui Moreira respondeu: "Duvido que Rui Rio dissesse que não à final da Liga dos Campeões se fosse presidente da Câmara do Porto."

Sobre a promessa que tinha feito - "Não vamos ter no Porto o que aconteceu em Lisboa" -, comparando os festejos do título do Sporting com a final da Liga dos Campeões, o autarca garante que "não se repetiu".

"Em Lisboa não houve uma final, não houve um evento desportivo, ou criação de riqueza. Não vimos aqui uma carga policial. Em Lisboa, a Câmara montou ecrãs de televisão e eu não."

Rui Moreira descartou qualquer responsabilidade da Câmara nas imagens vistas durante o fim de semana, uma vez que, assegurou, à autarquia apenas foi pedida a disponibilização de dois espaços para as ditas "funzones" de adeptos que chegavam num dia e voltavam a Inglaterra logo após o jogo.

"Relativamente a esses adeptos, não houve nenhum problema. Eram aqueles com os quais contávamos", afirmou, garantindo que eram "a esmagadora maioria" e que foram testados "três vezes", pelo que não acredita num descontrolo da pandemia.

"Portugal tem as fronteiras abertas e os turistas britânicos são livres para vir", acrescentou, resumindo que, após falar com os comerciantes da cidade, concluiu que este fim de semana "correu muito bem".

"São João? Eu acho que este ano vai haver mais pessoas na rua"

O presidente da Câmara do Porto espera que, este ano, haja mais portuenses a celebrar o São João e rejeita uma "visão fascista" de que a polícia possa reprimir esses festejos.

Sublinhando que as autoridades de saúde permitiram a instalação de três zonas de diversão na cidade, Rui Moreira afirmou que "São João haverá sempre", mas que "as regras estão em vigor", pelo que cabe à PSP intervir.

"Não vai haver concertos na avenida, nem fogo de artifício. Como é que as pessoas vão andar? Não faço ideia. E se houver ajuntamentos? A PSP que intervenha. Mas eu acho que este ano vai haver mais pessoas na rua."

Rui Moreira especificou que só admite a intervenção da PSP caso haja "comportamentos excecionais" e não só porque as pessoas estejam na rua.

"Só num estado policial é que era possível reprimi-los. Isso é uma visão fascista que eu não tenho. A PSP só deve reprimir comportamentos excecionais, não pode reprimir se toda a gente vier para a rua."