O antigo vice-presidente do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes apelou à unidade no partido para ultrapassar a crise interna, rejeitando divisões em "grupos, tendências ou fações" e antecipando que o seu objetivo não é "fazer a guerra".

Num vídeo publicado na sua página da rede social 'Facebook' na segunda-feira, Mesquita Nunes respondeu a perguntas que lhe têm sido colocadas desde que na semana passada pediu um congresso antecipado e anunciou que, caso esta reunião magna se realize ainda este ano, será candidato à liderança do partido.

Acho mesmo que não vamos sair disto se não deitarmos para trás das costas essas conversas que nos dividem a todos em gavetas e em caricaturas. O partido está numa crise de sobrevivência grande, nós temos de ser todos, não podemos ser alguns, nós não podemos continuar com essas conversas", defendeu.

Apontando que "para crescer" o partido tem de se "unir", criticou aqueles "que dizem que 'x' ou 'y' deviam ir embora, sobretudo quando o fazem com aquele ar de superioridade moral, a atribuir certificados de bom cristianismo", advogando que "isso nunca é bom para o partido".

Eu acho mesmo que podemos dar a volta a isto, mas para isso não é possível contar com grupos nem tendências nem fações. A mim não me vão ouvir falar de terrorismo e coisas que tais, isto não é para fazer a guerra, é para fazer mais partido", garantiu.

Mesquita Nunes defendeu que não deixa o CDS porque é o seu partido "há 25 anos" e salientou que o seu objetivo é "fazer o que puder para alterar a situação, não é abandonar". "Isso implicar mudar de rumo", referiu, apelando aos conselheiros nacionais que "permitam a realização de um congresso extraordinário".

É preciso que o país volte a dar uma oportunidade ao CDS, e que autárquicas teremos nós se continuarmos com este processo de degradação da imagem, do discurso e da mensagem do CDS, com esta permanente pergunta sobre a nossa sobrevivência?", questionou.

Esclarecendo porque é que se apresenta agora e não o fez no último congresso, há um ano, o antigo vice-presidente de Assunção Cristas afirmou que "no ano passado o CDS vinha de um péssimo resultado eleitoral e apresentaram-se duas candidaturas distintas mas que estavam muito mobilizadas para dar a volta ao resultado".

Naquela altura, "não estava em causa o desaparecimento do partido, estava em causa saber como dar a volta a esse resultado", prosseguiu, admitindo que a atual direção, liderada por Francisco Rodrigues dos Santos, "representou essa esperança". Porém, "hoje a situação é muito diferente", defendeu Adolfo Mesquita Nunes, apontando que agora "o partido precisa de apelar ao seu sentimento vital".

À pergunta se conta "com os de sempre", o antigo secretário de Estado respondeu que "é com os de agora, é com os de sempre, é com os que foram, é com os que vão voltar, é com os que vão chegar".

Na semana passada, depois de consultar a comissão política nacional, o presidente do CDS-PP decidiu convocar um Conselho Nacional mas não revelou se um dos pontos em análise será a realização de um congresso eletivo.

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