Portugal vai acolher 50 refugiados afegãos numa primeira fase, "mais imediata". O número foi avançado, esta terça-feira, na TVI24, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Segundo Augusto Santos Silva, Portugal mostrou-se disponível, logo no domingo, no quadro da União Europeia, a acolher 20 afegãos. Já esta terça-feira, no quadro da NATO, o Governo português assumiu que pode receber mais 30 cidadãos de imediato.

Em ambos os casos, serão cidadãos que colaboraram com as forças internacionais e que se sentem mais ameaçados pelos talibãs.

“Temos a obrigação de proteger e salvaguardar a vida de muitos milhares de afegãos que colaboraram com as forças internacionais, como tradutores e intérpretes, que têm a sua segurança posta em perigo, e nós devemos protegê-los."

Só numa fase posterior, no quadro das mesmas organizações, é que Portugal e outros estados-membros avançarão para um maior número de acolhimentos, alargando-os aos outros cidadãos afegãos. "Há uma obrigação moral da Europa em apoiá-los", completou.

Em entrevista na TVI24, Santos Silva também reagiu com cautela às promessas dos talibãs e defende que o grupo terá de mostrar em atos aquilo que afirmou esta terça-feira.

“Os talibãs têm de mostrar, com atos, que podemos acreditar minimamente neles, porque o registo tem sido o contrário. É evidente que ninguém poderá tolerar que o Afeganistão se torne outra vez num santuário internacional para movimentos terroristas.”

Pedindo “precaução e prudência” perante as palavras dos talibãs, o ministro português congratulou-se ainda pela missão da NATO nos últimos 20 anos, que conseguiu “evitar” qualquer atentado terrorista preparado no Afeganistão. “E esse compromisso vai manter-se”, prometeu. 

Catarina Pereira