O Partido Socialista quer ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros o mais rápido possível. Em causa, estão as declarações de Rui Machete sobre o Estado Islâmico, tendo levantado o véu a informações sensíveis e supostamente secretas.

Assim, os socialistas requereram esta quinta-feira, à Comissão de Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o agendamento potestativo, «e com caráter de urgência» do ministro, lê-se no requerimento.

O documento refere-se por alto à polémica, invocando como argumento a «participação de Portugal no esforço internacional de combate ao Estado Islâmico».

O Governo remeteu, entretanto, para o ministério tutelado por Rui Machete, esclarecimentos sobre essas alegadas informações classificadas. Pela voz do ministro da Presidência,  o Executivo afirma que, de acordo com as informações de que dispõe, «o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros não se referiu a nenhuma matéria classificada». De qualquer modo, sugeriu aos jornalistas que «falem com o próprio».

Luís Marques Guedes alegou não ter ouvido a entrevista de Rui Machete à Renascença nem ter lido a notícia em causa, e considerou não ser «a pessoa mais indicada» para dar «mais pormenores, mais detalhes sobre o assunto», alegou, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Foi ontem mesmo, quarta-feira, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, em declarações à Rádio Renascença, adiantou existirem dois ou três casos de jovens portugueses, militantes do grupo terrorista, que se arrependeram e querem voltar a Portugal.

Segundo a edição desta quinta-feira do «Diário de Notícias», Rui Machete divulgou informações classificadas como sendo de segurança, sem dar conhecimento aos responsáveis do Governo desta área, aos serviços de informações e às forças de segurança, o que terá causado mal estar junto dessas entidades e do próprio Executivo. 


Redação / VC