O ministro da Agricultura, Jaime Silva, acusou esta sexta-feira o líder do CDS-PP de estar «à procura de bandeiras» devido à sua «situação politicamente muito fragilizada», desafiando-o a apresentar políticas agrícolas alternativas em vez de só «bater e fugir», noticia a agência Lusa.

Paulo Portas desvalorizou entretanto as acusações, afirmando que as suas declarações nesta área têm «forçado» o pagamento das dívidas aos agricultores.

«O doutor Paulo Portas está numa situação politicamente muito fragilizada, que o leva a andar à procura de bandeiras», acusou Jaime Silva, em declarações à agência Lusa, numa reacção às críticas ao ministério da Agricultura do líder do CDS-PP, Paulo Portas, de só «pagar sob pressão» e de que «é mais amigo do ministério das Finanças do que dos agricultores».

«O CDS-PP faz o seu papel que é fazer pressão porque o ministério só paga sobre pressão», afirmou Paulo Porta esta sexta-feira de manhã, numa conferência de imprensa realizada depois do partido ter entregue no Parlamento quatro projectos de resolução que recomendam o pagamento «de dívidas» aos agricultores, desde compensações pelo abate de árvores aos financiamentos das organizações de produtores.

Em declarações à Lusa, Jaime Silva lamentou a atitude de Paulo Portas de apenas levantar questões técnicas em vez de apresentar políticas alternativas às do executivo de maioria socialista.

«Esperava que o doutor Paulo Portas dissesse qual a política agrícola que tem, se apoia a política deste Governo, que apoia os pequenos agricultores e uma agricultura ambientalmente sustentável, ou se continua a defender a política da subsídio dependência», afirmou.

Porque, continuou, cada vez que Paulo Portas fala de agricultura limita-se a «bater e fugir».

O líder do CDS-PP disse, em declarações à Lusa, estar «concentrado na realidade».

«O Ministério devia as agro-ambientais e as medidas compensatórias. Levantei a questão e acabaram por pagar no passado dia 31. Revela que eu tinha razão», afirmou, sublinhando que esta sexta-feira apenas lançou mais um «alerta muito significativo».

CDS-PP deixou na AR quatro projectos de resolução

Portas entregou esta sexta-feira no Parlamento quatro projectos de resolução que recomendam o pagamento de «dívidas» aos agricultores, incluindo as compensações pelo abate de pinheiros, a restituição das taxas remuneratórias cobradas indevidamente, o pagamento às organizações pela delegação de competências e a recuperação do atraso no processo de candidaturas a fundos comunitários.

Portas questionou se «é ou não verdade» que o Estado «entrou pelas propriedades dos agricultores que tinham pinheiros, cortou as árvores, vendeu a madeira e ainda não pagou?».

Relativamente a isso, Jaime Silva considerou que se trata de uma atitude que revela «a muito pouca consideração» que Paulo Portas tem pela Assembleia da República e pelos deputados.

«Há dois dias estive na Assembleia da República, na sub-comissão de agricultura. Se o doutor Paulo Portas tivesse ouvido as respostas que dei não teria tido o desplante de levantar agora estas questões», declarou, insistindo que o líder do CDS-PP «não tem consideração pelo Parlamento».