A moção «Realizar a Esperança», de Alberto João Jardim ao XIV Congresso Regional do PSD-M, defende a «separação» da Madeira de Portugal se não for ampliada a autonomia da Região.

«Esclarecemos que ante a recusa de uma maior autonomia no seio da Pátria Portuguesa, que desejamos fortemente, optamos pela separação», refere o documento que a Lusa teve acesso.

O XIV Congresso Regional do PSD-M, que se realiza a 24 e 25 de novembro, será antecedido por eleições internas a 02 de novembro, que terão como candidatos Alberto João Jardim, líder do partido desde 1976, e Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municipal do Funchal.

A moção lembra que o PSD-M só é «derrotado através da divisão interna» e acusa, sem mencionar o nome, Miguel Albuquerque como o «testa-de-ferro dos inimigos do partido».

«Cabe perguntar à consciência dos filiados no PSD, vamo-nos suicidar politicamente só para seguir as leviandades e oportunismos? Vamos entregar o PSD-M a um testa-de-ferro dos nossos inimigos políticos? Depois de conseguirmos estar a enfrentar a presente situação e a resolver o problema financeiro, vamos entregar o povo madeirense e o PSD a oportunistas que só pensam nos seus interesses pessoais?», pergunta o autor da moção.

Acusa os partidários de Miguel Albuquerque de «deslealdade» e de «facas nas costas» apesar de reconhecer que «têm todos o direito de discordar e de se candidatar», mas não promovendo «espetáculo na praça pública para destruir o PSD», de «mãos dadas com os inimigos de sempre».

No documento de 76 páginas, é defendida uma revisão constitucional que alargue os poderes e as competências das assembleias legislativas regionais e a extinção do cargo de Representante da República.

No que diz respeito à Madeira, a moção estabelece como prioridades consolidar as finanças regionais para a defesa da autonomia política evolutiva; não transigir na luta por mais autonomia; continuar o investimento possível no quadro das atuais condições financeiras; reforçar o apoio às pequenas empresas privadas; a preparação das eleições autárquicas e a blindagem do PSD face à ofensiva da direita tradicional para destruir o partido por dentro, escreve a Lusa.

Desafia ainda o «Estado português para, em caso de dúvidas, ter a coragem de assumir uma decisão democrática e permitir um referendo na Madeira que, de uma vez por todas, demonstre a vontade do povo madeirense, reforce a coesão nacional e finalmente encerre o contencioso das autonomias».
Redação