O líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, acusou esta terça-feira o Governo de estar a "extremar posições" com os sindicatos de motoristas, apelando ao Governo para não ameaçar os trabalhadores e defendendo a criação de condições para um acordo.

O Governo está a extremar posições ao fazer ameaças públicas. O país está a ser prejudicado com esta greve, mas não podem existir ameaças. Têm de existir condições para que se chegue a um acordo”, defendeu o antigo primeiro-ministro.

Pedro Santana Lopes falava esta tarde aos jornalistas na sede do CLC [Companhia Logística de Combustíveis], em Aveiras de Cima, onde se deslocou para conversar com os motoristas que ali se encontram concentrados.

O líder da Aliança disse perceber os motivos dos motoristas para avançar para greve, mas questionou o momento para o fazer.

É necessário acabar com a economia dos baixos salários e por isso eles têm as suas razões. Outra coisa pode ser o momento escolhido”, apontou.

Esta terça-feira cumpre-se o segundo dia de greve, convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Na segunda-feira, ao final do dia, o Governo decretou a requisição civil, alegando o incumprimento dos serviços mínimos.

A portaria que efetiva "de forma gradual e faseada" a requisição civil dos motoristas em greve visa assegurar o abastecimento da REPA, aeroportos, postos servidos pela refinaria de Sines e unidades autónomas de gás natural.

Outra portaria estabelece que os militares das Forças Armadas podem substituir "parcial ou totalmente" os motoristas em greve e a sua intervenção abrange operações de carga e descarga de veículos-cisterna de combustíveis líquidos, GPL e gás natural.