Em entrevista ao jornal «I», o ministro do Ambiente, Nunes Correia, fala do seu trabalho, do Governo e conta como é ser o ministro «mais anónimo». «Isso é bom ou é mau? O ministro ocupou este cargo para trabalhar, e trabalhou muito. Os ministros não são vedetas mediáticas. Cada um tem o seu perfil e personalidade. Nós - ministro e secretários de estado - temos uma vocação discreta e um conjunto de responsabilidades que não se compaginam bem com um excesso de exposição. Poucas coisas se fazem neste país que não passem por uma decisão deste ministério», disse Nunes Correia.

Nunes Correira conta aos jornalistas do «I» que começa a trabalhar às 9h e garante que, muitas vezes, não sai do escritório antes das 23h.

Tal como Luís Amdado, Nunes Correia reconhece que o primeiro-ministro está num momento difícil. «O momento é difícil para o primeiro-ministro e para o país. Estamos a viver uma das crises económicas e financeiras mais graves de sempre. Um governo que fez uma aposta muito firme e bem-sucedida de controlo do défice público confronta-se agora com uma situação de grande desorganização da cena financeira internacional com consequências inevitáveis em Portugal. Outra dimensão do problema é a demagogia política, às vezes delirante e até doentia, com que se tem defrontado o primeiro-ministro. Ele tem sido capaz de superar tudo isto com uma determinação extraordinária, mas nesse sentido sim, tem vivido momentos difíceis».

Nune Correia defende ainda o Governo das acusações de Paulo Rangel de que 95 por cento dos fundos do QREN não eram utilizados. «Aquilo que o deputado Paulo Rangel disse é uma mentira completa, inaceitável. Andou em vários locais do país a dizer que 95% dos fundos comunitários estavam retidos e transmitindo a ideia de que o QREN não podia ser utilizado». E adiantou que «a percentagem de fundos retidos é zero».

«É um processo normal! Depois de o QREN estar em execução, os países têm que mandar uma descrição dos seus programas de gestão, certificação e controlo. Neste momento, Bruxelas já deu a conformidade e estabeleceu um programa que está a ser cumprido rigorosamente. E tal como aos outros países, deu adiantamentos a Portugal que neste momento ascendem a 1.638 milhões de euros que são mais do que suficientes para as necessidades que o país tem tido até agora. Estamos não só a reembolsar despesas feitas como estamos a fazer adiantamentos. As declarações de Paulo Rangel são surpreendentes em alguém que pretende ter as responsabilidades políticas que já tem e pretende ter», adiantou.