No programa da TVI24, Circulatura do Quadrado, Ana Catarina Mendes revelou que o PS entende que "o melhor agora é marcar as eleições o mais rapidamente possível"

A líder parlamentar socialista lembra que o país não pode estar sem "órgãos a funcionarem na sua plenitude", uma vez que está "no final de outubro sem Orçamento", tem "que ir para eleições""os portugueses estão a sair de uma pandemia".

Sobre o facto, dos partidos de direita estarem a braços com mudanças nas lideranças partidárias, Ana Catarina Mendes considera que este nunca poderá ser utilizado como argumento para um eventual adiamento da ida às urnas.

Chegados aqui, o melhor agora é marcar as eleições o mais rapidamente possível para que o país não esteja tanto tempo sem os órgãos a funcionarem na sua plenitude (...)  O país não pode estar à espera das mudanças de lideranças”, refere a líder parlamentar socialista.

Ana Catarina Mendes revelou ainda que tanto o Governo como o PS tentou "até ao limite" que as negociações orçamentais fossem bem sucedidas e que o país não tivesse de passar por eleições antecipadas.

Devo dizer que da parte do PS não havia nenhuma vontade de se fazer eleições e por isso é que as negociações foram até ao limite”, esclarece Ana Catarina Mendes.

 

Lobo Xavier considera ser natural que o PS queira apressar o máximo possível as eleições, "porque prefere defrontar o PSD tal como ele está".

O comentador da TVI24 acrescenta que entende a "não-demissão" de António Costa. Para Lobo Xavier, o primeiro-ministro prefere manter-se em funções visto que "dá muitos mais poderes ao Governo daqui até às eleições”

Estou a ver o cérebro de António Costa a funcionar: eleições o mais depressa possível, antes que o PSD se organize, e nós no Governo a tratarmos de tudo e a mostrarmo-nos muito eficientes. Este é o cenário que lhe convém”, teoriza Lobo Xavier.

 

Crise Política: quem são os verdadeiros culpados?

Pacheco Pereira reitera que “o tipo de crise que temos hoje só pode ser resolvido com eleições", acrescentando que a culpa "é do PS, em primeiro lugar; do PCP e do Bloco de Esquerda”.

O comentador da TVI24 explica que o Bloco de Esquerda tem um "problema de proximidade" com o PS, devido às semelhanças com a ala mais radical, o que ao longo dos anos tem vindo a dificultar os pontos de convergência. Já o chumbo do PCP, ter-se-á prendido com a própria estratégia comunista.

O Bloco quer fazer parte do Governo, mas não sabe como. (…) O PCP sabe que está em crise eleitoral, portanto, não tem grande esperança de ter grandes resultados numas eleições legislativas. O que acham é que daqui a um ano vai ser pior. Acham que, daqui a um, as condições em que pode ir a eleições vão ser muito piores do que as em que pode ir hoje”, explica Pacheco Pereira.

Após ter realçado o empenho socialista nas negociações, Ana Catarina Mendes vê o Bloco de Esquerda e o PCP como os principais responsáveis pela falha nas negociações orçamentais.

A socialista salienta, o "empenho total na negociação" do PCP, que terá mesmo chegado a "reconhecer vários avanços" no Orçamento do Estado. Ana Catarina Martins teoriza, no entanto, que "que a reunião interna do PCP tenha sido uma avaliação de quando seria mais útil para o partido ir a eleições". Já quanto ao Bloco, a situação parece ter sido algo diferente.

Acho que o Bloco de Esquerda há mais de um ano que decidiu que não viabilizava mais nenhum Orçamento ao PS. No fim da aprovação do Orçamento Suplementar, vendo que o PCP tinha votado contra, achou que também já não tinha que estar amarrado nem dar apoio ao PS”, admite Ana Catarina Mendes.

Para António Lobo Xavier, a culpa é mesmo de "de quem achava que a geringonça era um projeto com virtualidade suficiente para aguentar duas legislaturas, quando não era". Lobo Xavier vai mais longe e lembra que "o Orçamento transformou-se, desde que há geringonça, no único ponto de união dos partidos, (…) acabada a única coisa que suporta a geringonça, que é o apoio cíclico anual ou a viabilização do Orçamento, é evidente que é preciso ir para eleições".

Encontro entre Marcelo e Rangel caiu mal da direita à esquerda? 

Durante o debate parlamentar, na terça-feira, foi tornado público que o Presidente da República tinha recebido Paulo Rangel, "protocandidato" à liderança do PSD, no Palácio de Belém. Da direita à esquerda, o encontro parece ter sido visto com maus olhos.

Ana Catarina Mendes confessa que achou "estranho" e "não estava à espera" deste encontro repentino, sobretudo, durante um debate orçamental.

José Pacheco Pereira que o "Presidente da República teve uma intervenção muito negativa em todo este processo" do OE2022, que culminou com este "erro crasso".

Com esta coisa que Marcelo chama um encontro protocolar que um candidato à direção do PSD, o Rangel, fez um erro político crasso. O Presidente da República não pode interferir nos processos internos dos partidos (…) A verdade é que a audiência que concedeu tem um denso significado político, porque Rangel disse como argumento foi: vou lá expor por que me quero candidatar às eleições. Isto não é protocolar”, culmina Pacheco Pereira.

 

Nuno Mandeiro