PSD e PAN passaram o último dia de pré-campanha no distrito do Porto, mas o ambiente que rodeou os dois partidos não podia ser mais distinto, como já é habitual.

O antigo presidente da Câmara do Porto esteve, esta sexta-feira, num almoço organizado pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), no Porto. Entre homens do turismo (e uma minoria feminina), Rui Rio subiu ao palanque para falar de economia, saúde, ambiente e das reformas estruturais que o PSD acredita que o país precisa.

De tudo o que é preciso melhorar [em Portugal], o que é que está mais carenciado? A economia, a saúde.... uma outra matéria que não tem tanto a ver com a eleição, mas com o desígnio da própria humanidade - o ambiente - e depois as reformas estruturais", começou por dizer.

E durante 35 minutos, o candidato social-democrata falou sem ser interrompido, analisou o programa do seu próprio partido, lançando farpas à oposição e ao Governo - sem se esquecer de referir que assim que acabasse de almoçar tinha "de colaborar com a empresa de Miguel Frasquilho" para apanhar o avião para Paris (onde vai estar este sábado em campanha).

Não devemos comparar o percurso feito nestes quatro anos com o percurso feito nos quatro anos anteriores. São situações completamente distintas. Não é honesto fazer uma comparação direta entre recuperar o país da bancarrota ou ter uma economia em crescimento com essa recuperação já feita." 

Garantindo não ter sido o autor do quadro macroeconómico feito pelo PSD, Rui Rio deixou algumas ideias para o crescimento económico do país e afirmou peremptoriamente que com o PSD no poder "não há cá troika nenhuma" em Portugal.

Um discurso que não deixou dúvidas à plateia "versada nestes temas", mas que não aprofundou os temas do dia: as acusações de Mário Centeno e o aeroporto do Montijo.

Montijo "é a solução mais barata"

À saída da sala, foi tempo de responder às questões do dia. Depois de responder ao ministro que "200 milhões é pouco para aumentar os funcionários públicos", foi tempo de abordar a construção do novo aeroporto do Montijo.

Para Rui Rio, é urgente solucionar o aeroporto de Lisboa e é claro que o Montijo é a solução "mais rápida e barata". No entanto, defende que é preciso ter em conta os custos ambientais e que, se estes forem elevados, é preciso um plano B, que acusa Costa de não ter.

Não entendemos a afirmação do primeiro-ministro. É preciso fazer um Estudo de Impacte Ambiental (EIA) faça-se lá porque não interessa nada porque nós vamos fazer no Montijo, há uma discussão pública a fazer em torno disto faça-se lá depressa porque não serve para nada e, finalmente, há uma declaração de impacto ambiental que, seja qual for, vamos construir o aeroporto no Montijo."

Para o social-democrata, não é aceitável arrancar o aeroporto no Montijo e "ponto final" sem as conclusões finais do EIA serem respeitadas.

Uma posição que é partilhada por André Silva, do PAN, que na Maia, onde fez uma caminhada acompanhado por vários apoiantes, acusou o Governo de "fugir a uma avaliação que é obrigatória".

O PAN está ao lado das associações ambientalistas, nomeadamente da associação Zero que já colocou uma providência cautelar, e esperamos que se o Governo teimosamente insistir em incumprir a lei, o tribunal nos dê razão ou dê razão ao movimento ambientalista e obrigue o Governo a cumprir a lei e a fazer a avaliação que é obrigatória", disse André Silva.

Para o porta-voz do PAN, não há dúvidas: caso "o Governo insista teimosamente em incumprir a lei", o tribunal terá mesmo de ser chamado a intervir.

Entre hortas biológicas comunitárias - onde André Silva avistou um dos seus legumes preferidos: a couve galega - e numa caminhada pelo Ecocaminho da Maia para alertar para a necessidade de retirar os carros dos centros da cidade, André Silva lembrou que ainda é preciso uma avaliação mais intensa dos impactos do aeroporto no Montijo.

Não estão completamente estudados todos os impactos na reserva natural do Tejo. A mitigação dos impactos com aves não está completamente esclarecida também. Nem se sabe ainda qual o impacto no tráfego na ponte Vasco da Gama e vias adjacentes. E também não é claramente conhecido o impacto a longo prazo do ruído e da poluição naquelas zonas."

No final da caminhada, tempo ainda para ouvir as preocupações de moradores da zona com uma questão relacionada com um projeto que pode significar o abate de sobreiros antigos e reivindicar mais metro na Área Metropolitana do Porto.

É fundamental retirar carros do interior das cidades. Temos de reforçar a construção de estruturas de apoio aos transportes públicos, alargar a linha da Maia até à Trofa e aumentar linhas em no Porto, mas também em Matosinhos, em Gondomar ou em Gaia. Mas como não conseguimos ter bocas de metro junto de todas as pessoas ou paragens de autocarro junto de todos os prédios, portanto é fundamental fazer vias de mobilidade suave", disse André Silva.