O líder demissionário do Chega afirmou, nesta quinta-feira, que todas as ameaças a deputados ou outros políticos "merecem a mais viva reprovação" do partido e acusou a "extrema-esquerda" de criar o "fantasma do racismo".

Em declarações à Agência Lusa, André Ventura disse que “todas as ameaças a deputados ou outros agentes políticos merecem a mais viva reprovação do Chega, tenham ou não teor racista”.

Nem o Chega nem eu próprio temos nada a ver, obviamente, com ameaças feitas a deputadas ou a ativistas. Eu combato a extrema-esquerda no parlamento e na rua, não com ameaças”, disse.

Para Ventura, “é a extrema-esquerda e o SOSRacismo quem está a criar este fantasma do racismo em Portugal”, prometendo o “combate” do Chega, “em todas as frentes”, uma vez que o partido ao qual é recandidato a presidente em 5 de setembro quer “direitos e deveres iguais para todos”.

O que não se compreende é que seja preciso esta ladainha do racismo para motivar a intervenção das mais altas figuras do Estado. E quando foram ameaças de morte ao Chega ou ao seu presidente?”, indignou-se.

As deputadas do BE Beatriz Dias e Mariana Mortágua, a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine Katar Moreira e mais sete ativistas antirracismo foram visados numa mensagem de correio eletrónico com ameaças, dirigido à SOSRacismo.

O BE confirmou na quarta-feira ter tomado conhecimento do teor das ameaças e adiantou que as duas deputadas do partido vão apresentar queixa ao Ministério Público.

O Ministério Público confirmou, entretanto, que abriu um inquérito às ameaças racistas.

Também hoje o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa pediu "tolerância zero" contra o racismo.

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