O líder do Chega, André Ventura, distanciou-se esta quarta-feira dos negacionistas da covid-19, alegando que o seu partido tem “um grande respeito pela pandemia”, porém indica que as origens da pandemia têm de ser colocadas a limpo e olha para a China à procura de responsabilidades.

Em entrevista à TVI, Ventura afirmou taxativamente não ser negacionista e apontou para a descida do consumo interno para clarificar que se nota um clima de medo nas “pessoas mais frágeis”.

Questionado sobre o facto de ter aparecido no Parlamento e em manifestações públicas sem máscara, o líder do Chega ironiza e recorre a um ditado popular: Se fossemos dizer que éramos negacionistas por não usarmos máscara... quem nunca pecou que atire a primeira pedra”. 

Sem comentar as ligações de vários apoiantes seus a movimentos como os “Médicos pela Verdade”, o deputado esclarece que a defesa da saúde pública tem estado no centro das suas propostas e que o reforço de técnicos de saúde é uma bandeira política do partido.

Ventura não se distancia, porém, das críticas que tem feito a Rui Rio e volta ao ataque, sublinhando que um “líder do PSD que aplaude o fim dos debates quinzenais, que não quer desgastar o primeiro-ministro” não está a fazer oposição.

No entanto, resigna-se a um governo de direita liderado por Rio, já que, segundo o próprio, o Chega e o PSD “são os únicos a poder formar um executivo” fora do espectro da esquerda. 

Com os olhos postos na meta dos 10 a 15% dos votos, esclarece também que não será uma muleta dos Sociais-Democratas e aponta para pastas concretas que quer que sejam cedidas ao Chega: “Queremos as pastas da Justiça, da Administração Interna, da Segurança Social. É preciso fiscalizar a atribuição de subsídios de forma absurda, acabar com a criação de um clima de subsídio-dependência”.

Na última sondagem conhecida, de há três semanas, o PS mantinha-se como o partido com maior intenção de voto (38%), face aos 28% obtidos pelo PSD e os 6% do Chega. Sobre isto, André Ventura escolhe culpar os erros cometidos no passado pela oposição.

“Se o Chega tivesse o palco do PSD, o PS não tinha 40% das intenções de voto”, alega.

Em relação a medidas concretas que deverão ser apresentadas no programa político do seu partido, Ventura espera colmatar aquilo que classifica como “as duas grandes falhas do Estado”. 

Assim, o Chega pretende terminar com o facto de os “investimentos públicos em grande dose” não terem “escrutínio do parlamento”. “Foram anunciados 317 milhões para investir na Habitação Pública, sem sabermos bem o que isso é. É um cheque em branco para o Governo, a classe média fica de fora e os coitadinhos sem pagar renda”.

Outra falha, argumenta, são as injeções públicas de dinheiro na TAP e no Novo Banco, que já consumiu até ao momento 2.976 milhões de euros de dinheiro público ao abrigo do mecanismo de capitalização.

“Propomos que obrigatoriamente todos estes dois planos - as injeções de capital e os investimentos públicos de larga escala - tenham de passar obrigatoriamente pelo Parlamento”, afirma.

"A imigração islâmica é um perigo para Portugal, é um perigo sobre as nossas mulheres e sobre as nossas cidades". Esta foi uma das bandeiras de Ventura em 2020, sob o medo de “Portugal se tornar numa espécie de Bruxelas”. 

Porém, interrogado sobre os números que comprovam essa afirmação, Ventura fala “numa ameaça”. “Não quer dizer que esteja a acontecer”.

“Nós não somos xenófobos, nem racistas, o que defendemos é que a Europa tem de conter o fluxo de imigração islâmica”