José Pacheco Pereira considera que a análise que Rui Rio fez ao Chega é “completamente errada”, por não fechar “a porta a um entendimento a nível nacional”. O comentador aponta o dedo ao PS e PSD por terem aberto o caminho ao Chega ao “permitirem pessoas corruptas que toda a gente sabia que era corruptas” nos seus quadros.

Já a deputada do PS Ana Catarina Mendes confessou ter “muita dificuldade” em deixar uma porta aberta para o diálogo “com um partido que quer uma nova República” e que acusa toda a classe política de corrupção.

“O que o Dr. Rui Rio acabou por fazer foi anunciar ao país que votar no PSD ou no Chega pode ser irrelevante”, sublinhou.

“O Chega não fala inocentemente em corrupção, subsidiodependência, nem de redução do número de deputados. Em todos estes casos, o Chega utiliza estas expressões num sentido que é inaceitável para um partido democrático como o PSD. As três têm uma coisa em comum: são todas anti-democráticas. São todas contra o sistema político”, explicou José Pacheco Pereira.

O comentador acusou André Ventura de atacar os pobres “como se ser pobre tivesse algum elemento de criminalidade”.

“O Chega não faz uma crítica abstrata à corrupção. O Chega ataca a corrupção dos políticos que associa ao sistema democrático. Não é uma crítica genérica à corrupção, é uma crítica como fator perverso da própria democracia”, esclareceu.

Também a redução do número de deputados, segundo Pacheco Pereira, representa um ataque do Chega para “punir os deputados”. Ainda assim, o comentador apontou os dedos aos grandes partidos, que ao permitirem corrupção dentro das máquinas partidárias “deram o ónus” ao Chega.

Ana Catarina Mendes recusou a ideia passada pelo Chega de que os políticos são todos corruptos e acusou o PS e PSD de terem falta de coragem para fazer “um trabalho a sério na área da justiça”. Apelidou ainda de “perigosa” aquilo a que chamou de “banalização do Chega”, um partido que considera representar “um perigo para os nossos tempos”.

A comentadora da TVI salientou que o partido liderado por André Ventura já apresentou projetos de lei que violam os direitos humanos, algo que nunca se passou na história da democracia portuguesa.

Lobo Xavier recordou que, apesar de discordar com as propostas do Chega, vários países democráticos têm medidas como a prisão perpétua.

“Quando eu olho para os papéis formais, não percebo onde está o inaceitável e repelente. Não vejo no projeto do Chega algo que justifique o Ostracismo. Não há nada no projeto que ofenda um democrata liberal normal”, frisou o antigo dirigente do CDS-PP.