O partido Chega reuniu-se durante este fim de semana numa convenção que decorreu em Évora. Com muita polémica à mistura, a começar logo pela eleição da nova direção nacional, órgão que tem de ser aprovado por uma maioria de dois terços, e cuja votação só passou à terceira vez, sempre com a mesma lista.

A controvérsia subiu de tom depois da apresentação de uma moção que tinha uma proposta sobre o aborto. Mas, afinal, foi feita uma proposta para retirar os ovários às mulheres que abortem? E será que o Chega aprovou essa proposta?

Em parceria com o Observador, o programa de fact checking da TVI, Hora da Verdade, procurou apurar todos os factos para perceber toda a realidade por trás do assunto.

Uma utilizadora do Twitter refere-se à proposta como tendo sido apresentada mas rejeitada pelo partido. Na mesma rede social, muitas outras publicações afirmam que a proposta foi apresentada e aprovada.

Analisando os factos concluímos que a proposta foi efetivamente apresentada, mas não pelo partido.

A reunião ficou marcada pela apresentação de várias propostas por parte dos militantes, sendo uma das mais polémicas a de Rui Roque, antigo militante do Partido Nacional Renovador (PNR), que divulgou a sua "Moção Estratégica Global para Portugal".

A proposta pretendia ver aplicadas medidas como a prisão perpétua em casos de homicídio com especial violência sobre crianças e idosos. Mas um dos pontos mais polémicos tem que ver com o aborto. O documento prevê a continuação da prática em Portugal, mas limita-a a determinados casos.

As mulheres que abortem no Serviço Público de Saúde, por razões que não sejam de perigo imediato para a sua saúde, cujo bebé não apresente malformações ou tenham sido vítimas de violação, devem ser retirados os ovários, como forma de retirar ao Estado o dever de matar recorrentemente portugueses por nascer, que não têm quem os defenda no quadro atual", pode ler-se.

Segundo Rui Roque, esta medida permitiria que o aborto não fosse imposto aos médicos.

Como tal, a proposta não foi feita pelo partido Chega, mas sim por um dos seus militantes. Posteriormente, o documento foi chumbado por 85% dos militantes que se reuniram em Évora.

Ao todo, e num universo de 254 delegados, 216 votaram contra e 38 a favor.

Como tal, e na escala de verificação utilizada na Hora da Verdade, o conteúdo da primeira publicação está certo: a proposta foi apresentada (por um militante) e recusada pelo partido.

Paula Gonçalves Martins / Parceria TVI/Observador