O Parlamento chumbou esta quarta-feira, em 18 minutos, a revisão constitucional proposta pelo Chega, rejeitada por uma maioria esmagadora do PS, PSD, PCP, BE, PAN, Iniciativa Liberal e das duas deputadas independentes.

Das 17 mudanças que o deputado André Ventura se propunha fazer à Constituição, cinco tiveram votações diferenciadas, mas foram igualmente chumbadas e o Chega foi o único a votar, isolado, a favor.

Por exemplo, o CDS/PP e a Iniciativa Liberal abstiveram-se quanto à retirada das marcas ideológicas no preâmbulo da Constituição, mudança que foi rejeitada por todos os outros, PS, PSD, PCP, BE, PAN, PEV e das duas deputadas não-inscritas Joacine Katar Moreira (ex-Livre) e Cristina Rodrigues (ex-PAN). E no artigo sobre a progressividade dos impostos, a votação foi idêntica.

Estas foram votações indiciárias, pelo que, na prática, o processo de revisão fica terminado em quatro reuniões.

Ao todo, no debate e votação, gastaram-se 121 minutos, ou seja cerca de duas horas.

Falta apenas uma reunião, que se realizará já em junho, para pôr fim ao processo, para a aprovação de relatório e atas.

O deputado do Chega André Ventura, que apresentou o projeto de revisão na reunião anterior, na terça-feira, participou na reunião, mas não interveio.

PSD, IL, e CDS fizeram declarações de voto, no mesmo sentido, anunciando que pretendem participar mais ativamente num futuro processo ordinário de revisão constitucional.

Segundo Luís Marques Guedes, os sociais-democratas estão a preparar um projeto próprio, com propostas na reforma do sistema político e também na área da justiça.

Se alguma proposta do Chega fosse agora aprovada, disse Marques Guedes, isso inviabilizaria uma revisão constitucional no prazo de cinco anos, independentemente de o deputado achar que algumas das alterações quanto ao “habeas corpus” podem merecer "uma reflexão".

Todas as propostas mais polémicas, como a da castração química ou a prisão perpétua, mereceram repúdio de todos os partidos, da esquerda à direita.

O Chega desencadeou o processo de revisão constitucional em outubro do ano passado, mas o processo ficou suspenso enquanto vigorou o estado de emergência, durante o qual não é possível qualquer alteração à Lei Fundamental.

/ CE