Numa primeira reação à proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), André Ventura considerou que o único ponto positivo é o desagravamento fiscal no IRS. No entanto, criticou o Governo por "retirar de um lado para ir buscar do outro". 

Há um único aspecto que vejo como positivo, para ser honesto, neste Orçamento do Estado e prende-se com o desagravamento fiscal em sede de IRS que é verificado em alguns dos rendimentos e até seria globalmente positivo se o Governo não estivesse a retirar daí para ir buscar noutros locais, como é o caso dos impostos sobre os combustíveis", disse em declarações aos jornalistas nos Paços Perdidos, na Assembleia da República.

 

O que o Governo está a fazer, e o João Leão, é a retirar de um lado, no caso do IRS, a continuar a manter a carga muito alta sobre as empresas e a agravar sobre os contribuintes em vários impostos. (...) Vamos, no fundo, retirar de um lado para ir buscar do outro", acrescentou. 

Ventura antecipa voto contra "orçamento catastrófico" 

Questionado sobre se esse único ponto positivo vai levar o Chega a votar contra o documento, Ventura disse que provavelmente sim, uma vez que ainda não existe uma decisão final. 

Eu queria anunciar que o Chega não tomou ainda uma decisão final sobre isso, mas que, previsivelmente, com todos os dados que dispomos no momento e com uma grande dose de segurança, que o nosso voto será contra."

Na ótica do líder do partido, este orçamento é "catastrófico".

"Se o Bloco e o PCP viabilizarem este Orçamento, têm de ser responsabilizados"

Na sequência desta pergunta, André Ventura defendeu que o Bloco de Esquerda e o PCP devem ser responsabilizados caso viabilizem os OE2022, uma vez que esta proposta não responde aos pedidos que os partidos à esquerda foram fazendo ao longo dos últimos dois anos. 

Eu acho que se Bloco de Esquerda e PCP viabilizarem este Orçamento, terão que ser politicamente responsabilizados por isto, porque passaram os últimos dois anos a dizer que faz falta um Orçamento de apoio à saúde, de apoio ao setor da cultura, de apoios aos setores da agricultura e agropecuário, de apoio às famílias e de apoio às empresas, e este Orçamento é tudo o seu contrário", argumentou. 

Cláudia Évora