Depois dos repórteres terem abandonado a sala da conferência de imprensa por falta de condições sanitárias, André Ventura e Marine Le Pen discursaram junto do Monumento aos Heróis da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Não assumem o rótulo de extrema-direita, que só serve para assustar as pessoas e retirar votos, explicando que o objetivo comum é reconstruir a Europa.

Somos uma lógica de reconstrução da Europa, essencialmente assumidos de direita, mas que negam esta lógica socialista de que tudo o que é contra o sistema se torna imediatamente extrema-direita”, afirmou André Ventura. 

Os dois na mesma linha, defenderam que são contra o atual sistema e pretendem uma revisão da Constituição. Ventura disse ainda que são vários os pontos em que ele e a presidente da União Nacional estão de acordo, como por exemplo a imigração, as políticas económicas, mas também as restrições "absurdas" no âmbito da pandemia de covid-19. 

Estamos completamente de acordo em matéria de imigração, de controlo migratório na Europa, de políticas económicas e desenvolvimento, até estamos de acordo em combater muitas das restrições absurdas que os governos têm feito no âmbito do combate à covid-19, portanto, penso que é muito injusto olhar para estes dois partidos e estes dois líderes de partidos e dizer extrema-direita”, afirmou. 

O candidato presidencial apoiado pelo Chega alegou ainda que existem uma série de partidos de extrema-esquerda na Europa, como o Podemos em Espanha e o Syriza na Grécia, que, no entanto, não são bombardeados com esse rótulo. 

“Marine Le Pen está hoje em Lisboa para darmos o pontapé de saída da campanha"

Com o número de novos casos de infeção por covid-19 em Portugal a rondar os 10.000 por dia, André Ventura admitiu fazer adaptações na forma como vai realizar a campanha nas próximas duas semanas. 

Vamos pensar se faz sentido, com o país em confinamento, ter ações de rua. Provavelmente, vamos ter de reduzir essas ações a eventos dentro de auditórios, com separação entre lugares e muito menos gente”.

No entanto, garantiu que vai querer marcar presença em todos os distritos porque “não há portugueses de primeira nem de segunda".

Sobre o adiamento das eleições presidenciais, o deputado único do Chega mostrou-se à vontade e confiante de que "quantos mais dias de campanha presidencial houver" mais votos vai ter ao final do dia. 

Para mim especificamente enquanto candidato presidencial, a decisão que for tomada sobre esta matéria, aceitá-la-emos. Aliás, estou convencido que quantos mais dias de campanha presidencial houver, mais votos eu vou ter ao final do dia”.

André Ventura terminou dizendo que a presença de Marine Le Pen em Lisboa é o "pontapé de saída da campanha eleitoral presidencial" e deixou uma promessa à sua aliada: "quando for o momento das eleições em França, eu farei o trabalho junto das comunidades portuguesas para ajudar que Marina Le Pen seja a próxima presidente de França”.

Entretanto, no Instagram, o candidato presidencial partilhou um vídeo em lado de Le Pen com a descrição: "Em honra aos Combatentes da Primeira Grande Guerra"

Le Pen: "É uma alegria apoiar André Ventura"

A eurodeputada e líder da União Nacional disse que "é uma alegria apoiar André Ventura" e considerou-o um "chefe político talentoso" que “rapidamente vai ser a primeira força política do país e um grande dirigente e estadista europeu”.

É uma alegria apoiar o André Aventura nesta eleição presidencial. A União Nacional e o Chega são partidos parceiros. Partidos europeus com a mesma identidade, mas não somos clones. Somos aliados, parceiros. A filosofia é reconhecer e respeitar as respetivas especificidades nacionais”, afirmou.

Para a líder nacionalista, “França e Portugal, através da diáspora portuguesa, criaram relações de amizade, respeito e ligação profunda”.

A eurodeputada gaulesa elogiou “o chefe político talentoso (Ventura)”, que, “rapidamente vai ser a primeira força política do país e um grande dirigente e estadista europeu”.

Agora que Portugal assumiu a presidência da União Europeia, os patriotas não podem ignorar que o seu voto tem significado, defendeu.

Marine Le Pen criticou ainda o primeiro-ministro português, António Costa, por declarações anteriores do líder socialista a propósito do Pacto para a Imigração e da abertura para acolher imigrantes e assim solucionar o problema demográfico.

Foram palavras preocupantes. Sei quanto os portugueses são orgulhosos do seu país, apreciam a tranquilidade e a cortesia. Não deixem que aconteça, defendam o vosso país, a História, as famílias, as crianças e também a Europa inteira. Viva o Chega, viva Ventura e a amizade franco-portuguesa!”, concluiu.