O candidato presidencial do Chega foi alvo do maior protesto de ativistas antifascistas (“antifas”) da campanha eleitoral em frente à Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, com mais de 100 manifestantes vigiados por reforçado contingente policial.

Na praça 8 de maio, baixa da Cidade dos Estudantes, munidos de tambores improvisados e um megafone, uma maioria de mulheres grita as habituais palavras de ordem: “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, “racistas, fascistas, machistas não passarão”, "ninguém atura o facho do Ventura”. Numa tarja de grandes dimensões lê-se “o fascismo é uma péssima aventura, todas somos estrangeiras em algum lugar”.

Em declarações aos jornalistas, André Ventura não se mostrou surpreendido, porque a candidatura já tinha tido conhecimento de que estariam a ser organizados algumas atividades deste tipo, e admitiu fazer queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e à Polícia de Segurança Pública (PSP) por suposta “espionagem” e “boicote” à sua campanha por parte do Bloco.

Nós vamos expor este caso à Comissão Nacional de Eleições e também à PSP para os efeitos que entender atuar. No caso da manifestação de Serpa, nós temos a informação de que quem pediu e organizou a manifestação se chama Alberto Manuel da Cunha Matos. Este senhor foi nomeado funcionário do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, em novembro de 2019, e terá sido este senhor que tratou dos procedimentos da manifestação que, supostamente, seria da etnia cigana ou da ‘antifas’, em Serpa”.

O candidato do Chega afirmou que já tinha suspeitas de que seriam os bloquistas os organizadores deste tipo de protestos e mostrou, aquilo que considerou serem, provas. 

Nós temos encontrado várias vezes viaturas próximas dos sítios onde ficamos, nomeadamente dos hotéis e eventos nossos", foi neste momento que Ventura mostrou uma imagem de uma carrinha branca, que, segundo o próprio, está registada em nome do Bloco de Esquerda e tem estado em vários locais da campanha. 

Andou atrás de nós em vários eventos", acrescentou. 

O deputado único do Chega disse ainda que não tem apenas "meras provas circunstânciais" e pediu explicações.

Não sei se é o Bloco de Esquerda que está por detrás disto, se é a candidata Marisa Matias, mas penso que uma explicação tem que ser dada e espero que seja dada rapidamente e com alguma coerência, porque eu não quero acusar ninguém de espionagem, mas a verdade é o que parece. E portanto estarmos a ser perseguidos e seguidos em campanha presidencial é pelo menos extraordinariamente grave". 

Numa reação na rede social Twitter, o candidato disse que não são as "manifestações ruidosas" que o vão impedir de continuar a lutar. 

Recorde-se que nenhuma destas "provas" apresentadas por André Ventura foram, até ao momento, confirmadas oficialmente.

O líder do Chega tem enfrentado múltiplos protestos do género ao longo da campanha eleitoral pelos 18 distritos de Portugal continental, em virtude do seu discurso radical contra as minorias.

As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de covid-19 em Portugal em 24 de janeiro, a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia, desde 1976. A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro.

Há outros seis candidatos: o incumbente Marcelo (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e "Os Verdes"), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva ("Tino de Rans", presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).

Cláudia Évora