Agraciado pelo Presidente da República de Portugal com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique, o presidente de Angola manifestou neste seu primeiro dia de visita de Estado a Portugal que "os amigos querem-se juntos". Marcelo Rebelo de Sousa falou primeiro, perante os jornalistas, tecendo vários elogios a João Lourenço e insistindo em duas palavras para definir o que este encontro significa: "novo ciclo".

"Esta visita de Estado inicia um novo e promissor ciclo. Este novo ciclo tem três dimensões que se completam", começou por dizer, enumerando: a primeira é a "presidência, a governação dos povos tem sempre presente a marca dos governantes, a personalidade e o programa presidencial" de João Lourenço.

Propostas com desejo de mudança, renovação geracional, revisão de métodos, equilíbrio financeiro, diversifiação e crescimento económico, afirmação do Estado e direito, combate à corrupção, projeção de futuro como potencia regional no mundo. Tudo assinalado por uma personalidade sensível ao que mudou e muda em torno de todos nós. (...) Conhece bem portugal e os portugueses. Sabe onde quando e como pode fazer pontes de mútuo benefício"

A segunda dimensão deste "novo ciclo respeita ao Estado e relaciona o Estado angolano com o Estado português". "Ultrapassadas suspeições e recriminações, umas muito antigas e outras mais recentes, assumida Angola como estado de manifesta e acrescida relvância, mais fácil é encontrar caminhos que se completem e estreitem com Portugal". 

A terceira é "a dimensão das dimensões deste novo ciclo"_ "a dimensão dos povos: os políticos servem os Estados para servirem os  povos".

Por isso é bom que acordos a celebrar amanhã na educação, saude, justiça economia e finanças sirvam necessidades concretas dos povos", em áreas como a construção, o ambiente empresarial e a diversificação e descentralização económicas.

"Algo terá falhado nesta busca permanente de alimentar uma amizade"

O presidente de Angola agradeceu "os braços abertos" com que foi recebido por Portugal e pelo seu representante, deixando ao mesmo tempo uma crítica implícita ao seu antecessor José Eduardo dos Santos.

Queremos corrigir facto de termos deixado passar periodo bastante longo sem que tivesse havido troca de visitas de chefes de Estado de um país para o outro. Os amigos querem-se juntos, os amigos devem-se visitar mutuamentoe. A última vez foi há cerca de nove anos atrás e isso denota que alguma coisa terá falhado nesta busca permanente de alimentar uma amizade entre dois países".

Depois de agradecer a condecoração que recebeu, disse que "Angola está a viver uma nova fase, com importantes reformas que vêm sendo feitas e com interesse e diversificar a sua economia".

Conta com Portugal neste processo e com os empresários portugueses. "Gostaríamos de vê-los em força em Angola investindo nos mais diversos domínios da economia"  e "não apenas" o petróleo.

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Há dois meses, com a visita do primeiro-ministro, António Costa, a Luanda, retomou-se a cooperação. "foi bastante oportuna, bastante frutuosa, teve resultados palpáveis com assinatura de importantes instrumentos". Amanhã mais um passo na cooperação "profunda" entre Angola e Portugal, com mais dois acordos para assinar.

João Lourenço quer mais, quando Marcelo for no próximo ano a Angola. Quer "consolidar os nossos laços de amizade". Tem o sim do Presidente português., que para além de um "novo ciclo", falou "num novo tempo para os dois estados, uma nova esperança para os dois povos".

"Hoje o sol apareceu e a chuva passou, exatamente no momento da chjegada de vossa excelencia. Não iremos desperdiçar oportunidade", prometeu.

Marcelo assume lado "menos bom" de Portugal no período colonial

O Presidente português disse também que assumr, sem complexos, responsabilidade plena pelo que houve "de menos bom" na história de Portugal no período colonial, assim como pelo "muito de bom".

Também reconheço, e reconhecemos todos, aquilo que houve, olhando retrospetivamente, de menos positivo ou errado na nossa história, ou de injusto para outros na nossa história: perseguições religiosas, perseguições sociais, escravatura, outras formas de dominação ou de exploração, e assumindo plena responsabilidade por isso".

Já o assumi várias vezes, não ficando apenas no mais fácil, que é pedir desculpa sem assumir responsabilidade. É muito mais importante assumir a responsabilidade plena por aquilo que de menos bom houve na nossa história. Eu assumo, e assumo como cidadão e assumo Presidente da República Portuguesa, sem complexos, como assumo o muito de bom que fizemos ao longo da nossa história".