No debate de apreciação na generalidade do Orçamento do Estado para 2022, André Ventura acusou António Costa de ser "o único responsável" pela situação em que o país se encontra e pela crise política que está instalada. Criticou todos os orçamentos apresentados, dizendo que aquele que se discute esta terça-feira "é o pior deles todos". 

Os vários orçamentos socialistas apresentados nesta câmara são todos maus, mas este consegue ser o pior deles todos (...) Consegue ser mau de tal forma que nem os seus parceiros mais fiéis, exceto o PAN que deu duas ou três coisas com medo que isto caia, conseguem agora segurar o seu Governo." 

O deputado do Chega disse que o primeiro-ministro "confiou em quem não devia ter confiado", referindo-se aos "parceiros mais fiéis" BE e PCP, e que "não se pode enganar toda a gente". Num tom eufórico, assegurou que a atual solução governativa conheceu esta terça-feira "o seu dia fúnebre". 

Senhor primeiro-ministro, o seu governo acabou. Esta maioria acabou. E esta maioria parlamentar conheceu hoje o seu dia fúnebre que o senhor primeiro-ministro reconhecerá tão certo como nós todos", declarou. 

Elencou as diferentes áreas onde considera que o Orçamento do Estado é pouco robusto – como a educação, o combate à corrupção ou a saúde -, para referir que, no que se refere ao investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Governo “quer convencer o Bloco de Esquerda de que vai pôr 900 milhões no SNS”, quando tanto poderia prometer “700, 900, um milhão, como vinte, porque não vai pôr nada disso”, “vai continuar a cativar atrás de cativar, como tem feito ao longo dos últimos seis anos”.

E o BE, como o PCP, podem enganar-se uma vez, duas, três, quatro, cinco, seis, não se enganarão certamente a sétima”, apontou.

Ventura disse ainda que "se este orçamento fosse tão bom, não vinha toda a gente anunciar greves".

Em resposta, António Costa salientou que “há vários anos que não cativações no SNS”. Em tom de ironia, disse ter ficado "comovido" com a alegria demonstrada por Ventura e que essa alegria é o que mostra ser "um erro enorme" a não viabilização deste documento.

Devo dizer que até achei comovente ver que conseguiu superar em alegria a perspetiva do Dr. Rui Rio e do Dr. Telmo correia com a hipótese do orçamento vir a ser chumbado. E a sua alegria demonstra tudo como será um erro enorme chumbar este orçamento."

 

Agora, vossa excelência o que ambiciona é fazer da República o que conseguir fazer na região autónoma dos Açores [o Chega viabilizou o Governo social-democrata nos Açores no seguimento das eleições legislativas regionais dos Açores em 2020]. E é essa alegria que não consegue esconder na ânsia que tem de chegar ao poder, custe o que custar. Espero que não chegue”, avançou.

A proposta do Governo para o Orçamento do Estado vai ser votada nesta quarta-feira na generalidade. Proposta essa que se encontra pendurada por um fio, depois do Bloco de Esquerda, PCP e PEV terem anunciado votos contra, juntando-se, assim, a toda a direita.

Se o documento for chumbado, o Presidente da República já fez saber que dissolve o Parlamento. 

Cláudia Évora