A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo recusa comentar as declarações do primeiro-ministro, a propósito do lar de Reguengos de Monsaraz. A polémica subiu de tom com a divulgação de um vídeo no qual António Costa fala com os jornalistas do semanário Expresso, já depois da entrevista, num momento off the record.

O vídeo de apenas sete segundos está a circular nas redes sociais. Nesse excerto, António Costa chama de "cobardes" os médicos enviados pela ARS do Alentejo para assistir os utentes do lar. Mas não se percebe o contexto da conversa, nem o que disse antes nem o que disse depois dessa frase.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) repudia as declarações do primeiro-ministro.

O Expresso garante que vai desencadear mecanismos internos para perceber a origem da fuga e divulgação do vídeo.

A ARS do Alentejo, contactada pela TVI, recusou comentar a polémica.

Já a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) repudiou as declarações do primeiro-ministro. 

Estas declarações, proferidas por um chefe de Governo, são chocantes e totalmente inapropriadas, insultando de forma vergonhosa e indigna todo um grupo profissional cuja competência, capacidade de trabalho e resiliência para exercer a sua profissão em condições cada vez mais degradadas, pondo os interesses dos doentes acima de qualquer outra consideração, não pode ser contestada”, afirma a federação dos médicos.

A estrutura sindical desmente também as afirmações de António Costa de que os médicos se recusaram a prestar serviço no lar.

Os médicos têm vínculo com a sua entidade empregadora, que não é o lar de Reguengos de Monsaraz, e têm obrigações para com os utentes da unidade onde desempenham funções – o Agrupamento de Centros de Saúde do Alentejo Central”, refere a nota.

Segundo a FNAM, os médicos prestaram assistência aos utentes do lar “de forma voluntária, apesar das condições desumanas em que os encontraram, e cumpriram a sua obrigação de denúncia desta situação de abandono e da falta de segurança em que lhes foi exigido desempenhar as suas funções”.

A FNAM exige que António Costa se retrate “das declarações insultuosas” que proferiu e que o presidente da administração regional de Saúde do Alentejo, a diretora-geral da Saúde e as ministras da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social “assumam as suas responsabilidades” no caso do lar de Reguengos.

Redação / Atualizada às 12:20, com LUSA