O Partido Socialista venceu pela terceira vez consecutiva em eleições autárquicas, conquistando 147 em 308 câmaras, mas o resultado da noite de domingo foi sobretudo ensombrado pela derrota em Lisboa para a coligação liderada pelo PSD.

Até às 04:53, o PS tinha, em relação há quatro anos, menos 12 câmaras, quando tinha conquistado um total de 159 câmaras, das quais 142 com maioria absoluta. Este domingo, até à mesma hora, são 123 as maiorias absolutas atribuídas aos socialistas.

Nestas eleições autárquicas, e segundo dados avançados por António Costa ao final da noite, o PS tinha ganho 13 câmaras ao PSD e cinco à CDU. Entre elas as câmaras de Vila Rela de Santo António, Mora, Sardoal e Espinho.

Entre elas as câmaras perdidas pelos socialistas estão Lisboa, Coimbra, Pedrógão Grande e Funchal.

Coimbra

Foi uma das derrotas da noite eleitoral para o Partido Socialista: o atual presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, perdeu para o independente José Manuel Silva, da coligação Juntos Somos Coimbra, que conseguiu mesmo a maioria absoluta.

A coligação (PSD/CDS-PP/NC/PPM/A/RIR/VP), encabeçada pelo antigo bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva, teve 43,92%, correspondendo a seis mandatos, enquanto o PS, que recandidatou Manuel Machado a um terceiro mandato, alcançou 32,65% e quatro lugares.

Lisboa

Carlos Moedas foi a grande surpresa desta noite eleitoral. O candidato pela coligação “Novos Tempos" ganhou a Câmara Municipal de Lisboa com mais de 34,25 % dos votos. 

Com todas as freguesias apuradas, Fernando Medina surge em segundo lugar com pouco mais de 33,3%, seguindo-se a CDU com 10,52 %, o Bloco de Esquerda com 6,21 %, como quinta força política surge o Chega com 4,41 %, a seguir o Iniciativa Liberal com 4,23 % e o PAN com 2,73 %. Vistos os resultados, as coligações lideradas por PSD e PS elegeram sete mandatos cada um. CDU e Bloco de Esquerda acabaram por conseguir igualar os resultados de 2017, com os comunistas a alcançarem dois vereadores e os bloquistas um.

Funchal

Pedro Calado, que lidera a coligação entre o PSD e o CDS, conquistou a Câmara Municipal do Funchal depois de oito anos em que o Partido Socialista, juntamente com o Bloco de Esquerda, PAN, MPT e PDF esteve à frente do executivo camarário.

Às 23:22 horas, de acordo com informações do MAI, a coligação Funchal Sempre à Frente atinge os 48,36 %. Com o PS a ter 40,02 %.

Pedrógão Grande

No caso da Câmara de Predrógão Grande a reviravolta pode estar relacionada com os polémicos e trágicos incêndios de 2017, que resultaram em 66 mortes, 253 feridos, sete dos quais graves, e destruiu cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

O sociais-democratas destronaram assim os socialistas que, em 2017, reelegeram o presidente Valdemar Alves que nesse ano venceu com maioria absoluta (55,78%), conquistando três mandatos, contra dois do PSD, que recebeu 38,03% dos votos.

Figueira da Foz

A Figueira da Foz foi uma das derrotas destas Eleições Autárquicas para o Partido Socialista, mas uma grande vitória para Santana Lopes.

Vinte anos depois, Pedro Santana Lopes reconquistou a autarquia pelo movimento Figueira a Primeira (FAP), apesar de uma margem muito reduzida: menos de mil votos separam os dois candidatos mais votados.