O secretário-geral do PS apresentou, esta terça-feira, uma série de indicadores internacionais para defender a tese de que o seu Governo lançou as "bases do futuro" na presente legislatura, recusando que se tivesse limitado a gerir a conjuntura.

Esta ideia foi transmitida por António Costa no encerramento das Jornadas Parlamentares do PS, que decorreram em Viseu, num longo discurso de balanço da legislatura e sem qualquer referência a relações futuras com os parceiros da atual solução governativa (Bloco de Esquerda, PCP e PEV) no plano político.

Estamos a corrigir grandes défices acumulados nos quatro anos da anterior legislatura [do executivo PSD/CDS-PP], como, por exemplo, no Serviço Nacional de Saúde. Falta-nos muito para fazer, mas há uma coisa que é verdade: Não nos limitámos a gerir o presente, estivemos sempre também a preparar o futuro", declarou o secretário-geral do PS e primeiro-ministro.

Sobre a atual solução de Governo formada em novembro de 2015 com o apoio do Bloco de Esquerda, PCP e PEV, António Costa limitou-se a repetir a ideia de que "valeu a pena" e que o PS cumpriu todos os compromissos que assumiu com estas forças políticas.

Sustentou, depois, que a generalidade das pessoas, no início da presente legislatura, entendia como "uma missão impossível aquilo que agora parece fácil de ter sido alcançado" nos mais variados domínios, com particular destaque para a macroeconomia.

Para ilustrar o que mudou nos últimos quatro anos, António Costa voltou a contar o diálogo que teve com uma senhora de Viseu, numa drogaria do centro daquela cidade, em setembro de 2015, em período de campanha eleitoral, e que o levou logo a perceber que iria perder as legislativas desse ano por motivos de desconfiança na capacidade de o PS alcançar aquilo a que se propunha.

Neste contexto, o secretário-geral do PS deixou até uma referência implícita ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que, nessa altura, também os responsáveis políticos não acreditavam no seu Governo.

Alguns achavam até que era tanto otimismo que era até um otimismo irritante", disse, após gracejar que o seu antecessor no cargo de primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, andava com "um Ipad na mão sempre a dizer que vinha aí o Diabo e um novo regaste financeiro".

Para António Costa, este cenário de desconfiança foi completamente ultrapassado.

Entre a série de indicadores internacionais citados por António Costa, esteve o dado de que Portugal "é o terceiro país mais seguro do mundo", reduziu as pendências judiciais em 35% nos últimos quatro anos e "criou as condições para voltar a ter saldos migratórios positivos".

Somos um Estado entre os quatro países do mundo com políticas mais amigas da família, que investe na qualificação dos seus jovens e na requalificação dos seus adultos, que aumenta significativamente o investimento em investigação e desenvolvimento", disse.

Nesta linha de argumentação, o líder socialista reivindicou que Portugal foi o país da União Europeia que mais reduziu em 2018 as emissões de CO2 e que, nesta legislatura, aumentou em 18 anos a sustentabilidade do sistema de Segurança Social.

Quem produziu estes resultados, de acordo com a conclusão tirada por António Costa, "não é um Estado que esteja só a olhar para os dias que correm, mas que está focado no futuro dos portugueses.

Numa alusão indireta às próximas eleições legislativas, o secretário-geral do PS disse que o seu partido "tem o dever democrático de ser humilde" e insistiu que nas últimas eleições europeias os portugueses não passaram aos socialistas "um cheque em braço".

O voto de confiança que recebemos foi uma pesada responsabilidade de conseguirmos fazer mais e melhor do que no passado. Mas temos orgulho do que fizemos e temos muita ambição e determinação de dar continuidade e estabilidade para cumprirmos os objetivos de uma agenda para a década", acrescentou.