O primeiro-ministro voltou, esta sexta-feira, a afastar a possibilidade de um Bloco Central, considerando que a governação conjunta de PS e PSD "empobrece a democracia", e defendeu que a atual solução de Governo foi boa para a economia.

Se olharmos para a economia, eu diria que a solução que tivemos nestes três anos foi boa. Pela primeira vez, voltámos a crescer acima da média europeia. Tivemos uma fortíssima redução do desemprego. Tivemos emprego de melhor qualidade, com uma razoável recuperação de rendimentos, com um nível de investimento privado e empresarial muito significativo, com grande crescimento das exportações", afirmou.

António Costa, que falava durante um debate com alunos da Universidade Nova de Lisboa, no Campus de Carcavelos, reiterou a ideia de que atualmente "é praticamente impossível a existência de maiorias absolutas" e em tom de desabafo formulou o desejo de que "no futuro haja menos politiquice e mais política".

Contra a reedição de um Bloco Central, o primeiro-ministro considerou também que a existência de projetos alternativos liderados pelo PS e pelo PSD tem contribuído para "blindar relativamente o crescimento das tendências populistas em Portugal" nos últimos anos.

Porque, em todos os momentos em que os portugueses sentiram a necessidade de haver mudanças de política, tiveram a possibilidade de nos partidos do sistema político tradicional encontrar respostas", argumentou.

António Costa referiu que os portugueses "em 2011 quiseram mudar e encontraram quem liderasse essa mudança" e quando "em 2015 quiseram mudar também encontraram quem conseguisse liderar essa mudança".

"Se um dia - espero que não seja em outubro - também quiserem mudar, encontrarão seguramente quem possa liderar essa mudança, e assim sucessivamente, e acho que isso é positivo. Portanto, salvo circunstâncias absolutamente excecionais, eu acho que a democracia portuguesa não tem a ganhar com soluções do tipo bloco central", acrescentou.